Line up Oficial Fashion Rio Verão 2012

O Universo Tropical que influenciou o estilo de vida brasileiro, repleto de criatividade e sensualidade, será o tema da edição verão 2012 do Fashion Rio, que acontece entre 30 de maio e 4 de junho. O evento, realizado no Pier Mauá, contará com três exposições de arte entre as salas de desfiles. Infelizmente meu favorito nos desfiles nacionais, Lucas Nascimento, não estará nas passarelas de Verão 2012, mas podemos contar com muitos estilistas de peso, confira as novidades e line up OFICIAL (Finalmente) do Fashion Rio Verão 2012.

(Segunda-feira) 30.05
17h Alessa

Ao falar de relíquias e em particular de sua coleção de muranos e espelhos veneziano Alessa conseguiu o mote para o que mais gosta de fazer, focar na decoração em estampas e, mais atualmente desde a temporada passada, o uso de brilhos em pontos específicos ou em tecidos paetizados.

Isso aconteceu na maioria das peças que, se não eram bordadas ganhavam o brilho do seda. Assim, caftans acontecem com estampas que nada mais são do que fotos em still de peças de murano além de fazerem as vezes de raios solares. Os vestidos são o ponto alto e Alessa trabalha formas variadas que vão dos lânguidos tubulares, passando pelos de saia godê e terminando nos enviesados com repuxos e leves drapeados. A estilista ainda apresentou peças com um misto bacana de cores entre azul e roxo em tecido que em muito lembra o veludo, mas que com certeza passou por um novo processo em seu acabamento final. Encerrando sua apresentação estão uma série de wearable art que chegam em bodies de tule rebordados por flores de plástico. Atenção especial para a armação de óculos de estilo nouveau feitos em parceria com a Lunetterie.

18h Acquastudio

Focada no cubismo a Acquastudio deu seu já habitual show no campo das formas. Dessa vez explora não só longos e volumes mas também passeia por geometrias hexagonais, triangulares e quadradas.

Essa mesma ênfase aparece nos bordados em 3D triangulares que apesar de poucos momentos chamaram a atenção para uma nova forma de explorar a técnica. O volume foca em quadris e ombros estruturados ora puros, ora adornados por franjas além da dobradinha brilho/ fosco. Vestidos construídos a partir de sobreposições de camadas de tecidos recortados e esvoaçantes formavam longos e mídis. No artesanal, além dos bordados estão os tecidos feitos artesanalmente em teares que dao um show de aspecto mais rústico em contraposição com a temática festa da marca. Mondrian é homenageado em estampas gráficas de quadrados em novos tons esmaecidos e paetizados propostos pela marca. Acessórios como clutch em madeira e arcos que terminam em grandes chifres preto e branco deram um tom mais conceitual ao desfile.

19h30 Melk Z-da



Melk Z da se renova nessa temporada e se inspira nas infinitas possibilidades das folhagens. Essa mesmoa folha natural vira inúmeros elementos durante sua apresentação em viés branco, em camadas fotografadas ou em recortes de tecidos.

O branco serve de fundo para a maioria das peças salvo os estampados que saíram das linhas observadas nas folhas que deram um tom étnico ao desfile. A camisaria ganha shape mais solto em manga bufante, os vestidos curtos chegam com construções complicadas e a alfaiataria ganha um toque todo especial em versão orgânica. Textura amassada divide espaço com lisos estampados onde o estilista consegue se manter fiel ao seu DNA artesanal de forma única. Atenção para as folhages em tons avermelhados e esverdeados que fazem uma espécie de babados sobrepostos nas peças. O uso de pastilhas plásticas coloridas alegrou vestidos brancos como o de shape reto e estruturado formando um belo mosaico de listras.

21h Patachou

O edifício Biarritz localizado no Rio de Janeiro exalando seu perfume Déco foi o ponto de partida para o verão da Patachou. A marca focou nas formas formas mais soltas na parte de cima e justas embaixo na maioria dos looks apresentados.

O melhor e o que pareceu a maior preocupação da marca foi na decoração de sua coleção. Estampas em arabescos interessantes, bordados da mesma tonalidade das bases e bordados em miçangas foram o ponto forte da coleção que teve no piquê o seu maior aliado formando calças, saias, vestidos e camisas. Falando nelas, a camisaria chega bem elaborada num trabalho de comprimentos e shapes mais atuais. Os poucos momentos monocromáticos como no vestido verde chamaram a atenção. A mistura de estampas em uma mesma peça foi feita com tanto apuro e bom gosto que em nada ultrapassa limites e em nenhum momento cai nas garras da poluição visual. Momentos fluidos em vestidos, calças e camisas que lembram lenços de estampa bem simpática em shape mais molenga. Infelizmente a riqueza do trabalho bordado só pode ser completamente apreciada de perto tamanha a riqueza empregada em algumas técnicas como o bordado do short branco na primeira foto acima que parece estampa mas não é. Um desfile correto com idéias urbanas para serem consumidas já mas que não apresenta nenhuma novidade de tirar o fôlego.

22h 2nd Floor

Entre gregos e troianos salvaram-se todos nesse verão da 2nd Floor. O cavalo, presente grego para Tróia que acabou por destruir a cidade depois de uma guerra de 10 anos, revelou preciosidades contemporâneas e de um streetwear imediativo focadas nas pesquisas da indumentária grega clássica.

Assim o jeans de DNA 100% da marca filha da Ellus dessa vez acontece em lavagem sky bleach em tom clarinho quase branco nas formas justas de calças skinny e jaquetas. Estampas floral bicolor apareceram tanto no feminino quanto no masculino e na maioria das vezes em tons de amarelo, azul e pink fazendo contraponto com o preto. Plissados foram usados em saias e em alguns momentos adornando peças como vestidos em versão de recorte solto. A camisaria ganha destaque pelo ótimo trabalho de formas transpassadas. O trabalho de bordado aparece no feminino com motivos gregos em preto e azul além da estampa de mesma tonalidade que imita escama de peixe. E se o mar é ponto forte da temática rega adotada nada mais justa a proposta de sobreposições de camisa de trama de rede no masculino. Bem editada e desejável a 2nd Floor fez um desfile jovem com muito apelo fashion e ainda assim focada no comercial mostrando que moda jovem nao é e nem pode ser encarada como bobinha.

(Terça-feira) 31.05
18h Totem


Pode-se dizer, com certeza, que Yamê Reis fez uma reestruturação na Totem. A marca que não perdeu seu viés praia mostrou uma de sua melhores coleções com estilo e styling que dialogam de forma desejável.

O shape é solto e o clima é de resort com estampas em bleu blanc rouge ( azul, branco e vermelho ) nas calças capri e paletós largos. Mais fresca, a coleção ainda apresenta momentos de uma nova camisaria mais alongada e em versões transparentes que viram chemises interessantíssimos. Os desdobramentos das estampas acontecem em listras verticais em camisetas e vestidos longos. São deliciosos os looks de bermudas e camisaria com blazers ou os momentos em brilhos prateados em tecidos amassadinhos. Ainda no campo da camisaria está uma das idéias mais bacanas que flerta diretamente com o artesanal em renda com colarinho. Toque navy bacana em ótimas sacadas que não traíram a linha seguida pela marca e ainda conseguiu equacionar estilo e desejo.

19h30 Salinas

O Rio de Janeiro e sua bossa foram o tema central do verão da Salinas. Isso, na marca, se traduziu em estampas em preto e branco que se inspiram no tradicional calçadão carioca e no ótimo perfume praiano nos adornos de cabeça como os ótimos chapéus-boné. O beachwear é um capítulo à parte.

Lenços estão presentes na coleção sugeridos em amarrações de biquínis e alças removíveis. Enquanto a modelagem da praia acontece pequena e com ótimas cavas decotadas nos maiôs, as saídas de praia ganham formas amplas em peças como saias, mídis e longas, macacão solto e vestido longo com trabalho de patchwork de diferentes estampas da coleção. O caleçon aparece usado com ótima camisaria ampla. Entre boas estampas, como a das borboletas que olhando rápido lembram florais, e modelagens mais retas e quadradas a Salinas fez uma apresentação apostando no decote de coração para tops e na sobreposição de tule estampado nas peças que vão da areia para o asfalto.

21h Espaço Fashion

A menina da Espaço Fashion cresceu e agora transita por lugares diferentes em busca de sua paz interior adaptando novos elementos. Dessa descoberta surgem as peles, que como acreditavam os povos primitivos guarda a energia ou maná do animal mesmo após sua morte passando-a para quem dela se veste.

Se essa foi a intenção de Camila e Bianca Bastos a mesma foi traduzida em ótimos momentos de peças com shape folgado em couro de píton em versões azul, vermelho e bege. Esse mesmo couro forma detalhes como alças em vestidos fluidos e macacões molengas. Os shapes de tops alongados se saíram melhores do que os exercícios de assimetrias e desconstrução máxima que a marca se prestou a fazer em confusas bermudas cargo. Focando na tecnologia apresentou bons momentos com o jacquard de algodão com fibra tecnológica ( o melhor de todos está no vestido-saco final usado por Aline Webber ). Para as festas franjas de cristais balançam em vestidos molengas de seda estampados com folhagens. A escolha de uma cartela de tons escuros reflete um pouco da maturidade das peças onde a Espaço Fashion conseguiu sugerir novos rumos que refrescaram a imagem da marca.

22h OEstúdio

O coletivo que forma o OEstudio trabalhou com uma das temáticas que melhor desenvolve juntado artesanal ao industrial. O resultado veio em formas soltas de vestidos, saias e macacões em detrimento de formas justas de calças.

Mais interessante, realmente, é a forma que essa junção foi feita proporcionando bons momentos de mescla de estilos e de estampas alegres e coloridas. No masculino o frescor aconteceu com a proposta da calça estilo clochard em estampa clarinha e no feminino destaca-se as calças de modelagem carrot com camiseta rebordada por letras em tecido. O look masculino marrom de camiseta e bermuda com aspecto desgastado foi uma das idéias mais bacanas e desejáveis da apresentação. Há ainda momentos de alfaiataria desconstruída nos blazer-vestido feminino e nos paletós masculinos com camadas sobrepostas.

(Quarta-feira) 01.06
17h Ágatha

A Ágatha estréia em grande estilo nas passarelas carioca falando sobre o início. Isso se traduziu em uma estética branca profusa pontuada por tons de pele e verde folha.

A modelagem solta e de corte circular, ainda que clichê para o segmento na qual a marca se aplica, é bem feita com momentos preciosos de vestidos soltos em seda com recortes e decotes bem pensados. O couro de phyton foi um dos destaques em vestidos e peças de pegada balonê e em seu momento mais virtuoso no maiô com gola rolê em mescla com malha. As sobreposições ficaram um pouco over e não traduzem desejos de moda imediatos, alguns momentos ficaram muito confusos com fartos panejamentos e, de certa forma, um pouco sem fundamentos. No artesanal estão o macramê e o crochê muito bem executados pela marca em vestidos rústicos e altamente comerciais e ainda há espaço para calça, camiseta e vstido rebordados por paetês de couro, luxo. Ainda no campo das experimentações estão as peças que ganharam banhos de gesso e que proporcionaram a marca trabalhar com novas texturas interessantíssimas. Pode-se dizer que a Ágatha cumpriu sua missão com mix de idéias reais e propostas instigantes.

19h30 R.Groove

Ao se inspirar e se aprofundar no verão Rique Groove faz uma de suas coleções mais felizes. A beleza que sugeria um bronze dourado só salientou a ótima intenção da marca de apresentar uma moda masculina fresca, sem preconceitos e altamente desejável que dialoga com a atmosfera carioca. Se os homens estão preparados para usá-la, pelo menos aqui no Brasil, já é uma outra conversa.

Em sua alfaiataria descompromissada há momentos de estamparia acertada e versões tricolores que recortam jeans formando barrados contrastantes. Esse mesmo recorte aparece também em calças e bermudas. Com uma cartela de cores riquíssima o estilista atinge seu ápice nos listrados em diferentes espessuras. Esse mesmo listrado dá mostras novidadeiras em momentos de recortes de estampas que se desencontram formando novos desenhos. O tricô fino em suéteres de tons fortes ou em momento preto pontuou o forte DNA carioca da marca para aquelas noites de vento frio na beira do mar. Há ainda versões de camiseta mais estruturada com algodões de diferentes gramaturas e a estampa que imita madeira coroando o sucesso da coleção.

21h Coven

Entre silhuetas de felinos e borboletas a Coven conseguiu agradar tanto sua clientela mais cativa quanto rejuvenescer a imagem da marca. Nesse verão, vestidos de saias mídi folgadas passeiam lado a lado com bandages em tricô.

As borboletas mencionadas acima são preciosos bordados em paetês e miçangas formando desenho sobre base em tricô. O brilho acontece quando entra o fio lurex em verão prata e dourado formando listras e florais. Franjas em verde, roxo e preto enfeitavam vestidos e saia usada com tops justos. Esses mesmos tops ganham pegada esportiva quando desfilam na versão sem mangas. Correta e compromissada com elementos decorativos não há momentos de tirar o fôlego porém a Coven se mantém firme no que se propõe a fazer em boas pesquisas no setor que abrange o tricô. E o faz muito bem!

22h Blue Man

O perfume saudosista foi sentido durante toda a apresentação da Blue Man. Terra Brasilis evoca o manifesto lançado nos anos 70 pela marca sob comando de David Azulay.

Atualmente a marca é comandada por Sharon e Thomaz Azulay que nessa edição fizeram uma homenagem especial e ultra contemporânea ao acervo da marca. Assim, existem peças em jeans com toques atuais, cós de calças jeans se misturam em biquínis e maiôs engana-mamãe. Há ainda as boas misturas de tons fortes como pink e laranja e as sungas ganham recortes traduzindo contrastes. As modelagens oscilam em mil e uma propostas que redesenham a moda praia da marca com o olhar fresco e a expertise da dupla que vai crescendo conforme o desfile acontece.

A estamparia é de tirar o fôlego. Motivos genuinamente brasileiros estão, além das peças de beachwear, nas propostas de saídas de praia como saias longas e vestidos ou nas bermudas e camisaria usadas pelos meninos. Há ainda momentos de texturas interessantes em tops e bottons que vão de minúsculos á mais comportados. Casting bombado que contou com Ana Beatriz Barros, Ana Claudia Michels, Marlon Teixeira ( fazendo sua estréia nas passarelas carioca ) e Lea T que foi ovacionada logo em sua primeira entrada. Toque chique de estilo? As estampas ganham brilhos localizados seguindo os motivos dos desenhos o que só somou à nova imagem mais fresca e cheia de desejos que a marca apresentou. Faça bonito na praia!

(Quinta-feira) 02.06
17h Filhas de Gaia

O caos do cotidiano inspirou Renata Salles e Marcela Calmon nesse verão. A estamparia característica da marca está de volta nessa temporada em florais e imagens urbanas como arranha-céus e câmeras de vigilância.

Em termos práticos a coleção chega com modelagem solta amparada pela fluidez dos tecidos utilizados. Tons fortes como o laranja e o azulão animam a cartela em macacões e vestidos longos que assumem um caráter mais sexy do que temporadas passadas. Esse viés se desdobra em recortes que revelam partes do corpo além de fendas profundas, que na vida real devem ser minimizadas mas que na passarela produziu um efeito quase erótico revelando pernas. O plissado em saias amplas, as pregas em detalhes de golas e os drapeados em mangas sofisticaram e adicionaram volumes à silhueta lânguida da coleção. Ainda que com uma boa dose de novos caminhos e com um styling focado nos cintos com tachas “quebrando” a fragilidade das peças, foi sentida a falta de exercícios de construções arquitetônicas na qual a marca sempre se arriscava.

18h Coca Cola Clothing


Ao que parece o mote de um chillout, na Coca Cola Clothing, assume a obsessão de explorar tudo ao mesmo tempo agora. Existem divisões bem distintas entre as propostas comerciais e de caráter diurno com os desejos de uma sofisticação noturna. O problema é que tudo isso, quando junto, acaba por desnortear propostas que poderiam ter sido melhor desenvolvidas.

O crochê abre a apresentação aplicado em laterais de bermudas e coletes se desdobrando em momentos de macramê de acabamento franjado numa espécie de casaco-xale e saia. Há peças em transparência como nos macacões soltos e vestidos fazendo sobreposições. No masculino esse mesmo artifício da transparência aparece na camisaria sobreposta em algodão fininho. Estampas tropicais como hibiscos e araras aliadas a tons terrosos como o off-white e o ocre suavizam a coleção que conta com explosões de vermelho. Boas idéias surgem em peças de perfume tribal como no trabalho em camisaria e top de chamois furadinho ou na calça masculina com bordado em relevo floral. Das idéias que poderiam ter sido mais exploradas estão a frente única feita por amarrações de lenços usada por Alicia Kuczman ou as peças bordadas que assumiram uma estética oriental e foram encarregadas de trazer o brilho á apresentação. No meio disso tudo estava Olivia Palermo, socialite americana que faz o programa “The city” que veio com exclusividade para o desfile da Coca Cola Clothing, e foi somente mais uma menção do liquidificador de apostas da marca.

19h30 Maria Bonita Extra


Ana Magalhães amadureceu a imagem da Maria Bonita Extra mas não deixou o romantismo e a poesia de lado em coleção que fala sobre os jardins suspensos de Highline. A ferrovia dos anos 30 que viu brotar um jardim de seus trilhos traduziu bons momentos para a marca.

Vestidos asumidamente assimétricos em seda molenga foram os responsáveis por uma imagem mais adulta mesmo que em estampas de máxi flores. Os trilhos foram imortalizados pelo tramado em quadrado que formou recortes em vestidos, shorts e calças cropped usadas com camisetas. O brilho acontece velado por camada de tule representando a visão do jardim vista de cima. Decotes tombados por drapeados leves adquiridos pelo caimento do tecido e camisetas e calças mais rígidas em tecido vazado por círculos arrematam a coleção que se livra de elementos joviais e se entrega à busca de uma mulher elegante.
21h Têca


Helô Rocha se firma cada vez mais no posto de criar coleções fofas. Nesse verão os desenhos em canetinhas de animais da savana viram estampas em paletós ajustados, camisas e saias mais soltas.

O comprimento curto é o preferido da estilista que nessa temporada se arrisco no mídi em vestido listrado e em uma série de momentos em clash de estampas. Há pantalonas em azulão de shape solto e fendas que revelam pernas em saias e vestidos. Alguns desses vestidos ganham decote em tiras de tecidos levemente franzido numa boa mistura de vestuário tribal. O bloco em color blocking de vestidos recortados por cores vibrantes poderia ter sido descartado no meio de uma coleção que faz uma ode bacana e fresca à difícil arte de misturar elementos tão profusos focados na estamparia.

22h TNG


A TNG encerrou o quarto dia de Fashion Rio mostrando o que sabe fazer de melhor: jeanswear. Foi um bloco inteiro que abriu com a a triz Deborah Secco e mostrou as melhores idéias em peças da marca para esta temporada.

Assim dito, camisas, vestidos, calças, bermudas e t-shirts acontecem com shape confortável em mesclas de diferentes tingimentos e gramaturas de jeans. O vestido-jaqueta figura entre uma das melhores apostas da marca para contar a história do movimento clubber dos anos 90. Momentos de estampas coloridas que bebem da fonte do neoconcretismo alegram camisas, calças e vestidos. O feminino ainda investe em boas sobreposições de peças com transparência sobre estampa e casacos que vão do cropped ao alongado em versões goiaba, azul ou preto. A estética cropped ainda desenha boas calças estilo carrot no feminino e o movimento clubber, se realmente existiu, ficou diluído com a moda fresca e veraneia da marca. Não há momentos de frisson mas é estimulante ver que a marca tenta se adequar a cada temporada. A pergunta que não quer calar continua: Veremos as deliciosas propostas de jeanswear nas lojas da TNG??

(Sexta-feira) 03.06
16H Andrea Marques


Foi olhando pela janela de seu ateliê em Copacabana que Andrea Marque coletou inspirações para o verão de sua marca. A padronagem do calçadão e as cores do pôr do sol do bairro foram bem represenadas em uma coleção se valeu das formas confortáveis.

A mescla de natureza com sua praia e área urbana com suas ruas movimentadas são bem representadas nas curvas dos babados em mangas de camisas e macacões de shape solto ou nos bons momentos em preto e branco fazendo alusão ao calçadão. O laranja, amarelo e azul pontuam a coleção em peças cropped e na estamparia gráfica ou florais. Há decotes em triângulo invertido que modernizam vestidos e camisas e transparências em peças que ganham trabalho artesanal em linhas onduladas. Os babados das mangas mencionados acima encerram o desfile transformados em basque de camisa acinturada e com recorte em tule usada com saia gráfica pela sobreposição de transparência. Chique sem fazer esforço.

17h Triya

A equipe de criação da Triya vai até o fundo do mar para retirar de lá inspirações para o show de estamparia que deu nesse quinto dia de Fashion Rio.

Focada na estamparia que empresta inspirações de pérolas, corais e conchas a marca apresentou até agora a maior variedade de exercícios de formas na moda praia. Muitas das versões apresentadas, e das mais recortadas, não devem provavelmente ganhar as areias deixando isso para os bons maiôs e biquínis de corte maior e “normal”. Mesmo assim foi refrescante ver esses exercícios e lembrar de momentos gloriosos dessa mesma atitude que existia na Rosa Chá, por exemplo. A marca ainda explora o brilho e o furta cor em tops geométricos e sugere ótimas peças soltas em tecidos fininhos para a hora de sair da areia e pisar no asfalto. São vestidos, saias e camisetas confortáveis que dialogam entre si. Apesar de alças e amarrações grossas a marca tenta revelar quanto mais pele possível nos recortes de tira o fôlego. Na praia da Triya há espaço para as sereias brilharem com todos os elementos desse universo de praia e essencialmente brasileiro.

18h Herchcovitch


Alexandre Herchcovitch e sua equipe conseguiram com essa entrada no Fashion Rio mostrar uma das coleções mais comerciais do evento. E isso não foi um problema, muito pelo contrário a marca desmistificou a lenda que coleções comerciais caem sempre na mesmice e não empolgam.

O verão da segunda linha do estilista voltada ao público jovem elegeu o jeans como vedete da coleção. O tecido aparece aqui em formas diversas e mostrando o que realmente os jovens querem usar: um bom par de jeans. Isso se transforma em peças altamente desejáveis em vestidos, jaquetas, saias, calças, macacão e até beachwear que apresentam ótimos trabalhos em lavagens o que diferencia e “anima” a apresentação. Shapes confortáveis e recortes inspirados na lingerie modernizaram toda essa vontade que transpõe o possível o trivial que conhecemos usando o denim. No final, o crochê em fio de seda engomado foi responsável por looks que revelam parte o corpo e podem muito bem serem usados da praia ao asfalto. Expertise certeira e olhar focado num mercado que quer o simples com uma pitada de subversão e novidade. Aplausos para a marca.

19h30 New Order

O mundo do futebol foi o ponto de partida para a estilista Marianna Arnizaut para os acessórios da coleção de verão da New Order.

Entre modelos esportivos de bolsas que vão do tamanho médio ao mini a estilista conseguiu momemtos fofos quando se inspira na rede do gol, em momentos de bolsa-saco vazadas, por exemplo. Os sapatos ganham salto grosso em plataformas altíssimas além de serem inspirados em chuteiras. Ainda que fofa a coleção não é uma das melhores já apresentadas pela marca e mais uma vez as roupas tiram a atenção do objeto na qual a New Order trabalha. Não seria a hora de começar a pensar em comercializar algumas peças?

20h30 Giulia Borges


Ao sugerir uma utopia moderna que passei por diferentes movimentos de impacto tanto na música quanto no comportamento, Giulia Borges acabou por criar uma nova estética em sua marca homônima.

Vestidos curtos são mais rígidos com recortes em couro box, aquele de aspecto mais duro e pouco maleável, o que foi responsável por essa rigidez. Outros momentos de formas mais soltas estão nos vestidos longos e nas calças sugeridas pela estilista. A mistura de cores se dá com tons neutros recortados por amarelos e vermelhos além das ótimas botas listradas em tons contrastantes e abertura peeptoe. Tachas fazem as vezes de botões na maioria das peças tomando emprestada a estética dos punks. Como é verão, Giulia imprime margaridas escalafobéticas nas peças que fecham o desfile em versões multi coloridas e de escala maximalista além de pontuar momentos de color blocking desejável.

22h Lenny

Lenny Niemeyer completa 20 anos de sua marca neste ano de 2011. A passarela montade á beira da lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, desejo antigo da designer, marcou com chave de ouro a data com direito a fogos de artifício e tudo.

A coleção, que nos interessa mais, é uma compilação do ótimo trabalho de formas e experimentações de materiais e execuções que Lenny tem feito durante todos esses anos. Assim, existem mil e uma formas de se mostrar um biquíni ou um maiô, mas a marca inova na escolha dos materais como é o caso da renda que vai da praia ao asfalto. O beachwear da marca há muito tempo deixou de ser encarado como peças exclusivamente para se tomar banho de mar ( ou piscina ) e galgou um patamar acima que permite poder transitar em diferentes situações. Isso se deve, em parte, a modelagens inovadoras com o auxílio de bastões de ferro que redesenham tops e maiôs, estamparia animada e colorida com motivos tropicais, exercícios de técnicas manuais de tingimento e um novo olhar sobre o corpo feminino que ganha recortes de tirar o fôlego. Com cartela de cores simpáticas a mulher da Lenny se dá bem pisando na areia ou no concreto.

(Sábado) 04.06
17h Walter Rodrigues

Walter Rodrigues continua com o exercício de simplificação de formas no verão de sua marca homônima. Nesse verão além de formas soltas características de seu trabalho estilista surpreende com uma estética mais jovial focada nos momentos de peças curtas como shorts e vestidos.

Tudo isso muito bem executado sob a visão da marca em construções feitas por moulage e tecidos molengas de caimento certeiro. No final, uma série de vestidos em organza foram apresentados feitos em parceria com as costureiras de Quipapá. Essas peças de pegada mais romântica são as mais “enfeitadas” do verão do estilista com mix de texturas interessantes feitas com o tecido. Imagem suave adquirida por calças, túnicas e saias godê de corte certeiro e estética limpa, pode-se dizer que Walter conseguiu mais uma vez se livrar dos excessos e ainda assim apresentar uma moda que dialoga com a contemporaneidade e as vontades de sua clientela.

18h Nica Kessler



19h30 Cantão

Após um inverno que dialogou sobre arte a Cantão repete a mesma dose na temática alegria que formata o verão da marca. Aqui elementos da última temporada ainda persistem em aparecer como os bordados em madeira ou o trabalho de patchwork triangular colorido.

Fica muito difícil entender por onde a garota Cantão anda com a coleção apresentando shapes que flertam com o oversized em vestidos longos e macacões molengas. Para amenizar o surto no panejamento a marca decotou suas peças flertando com a estética do beachwear em alças finíssimas. Bem pensado. A coleção não surpreende em novidades mas ratifica as vontades artísticas e o bom trabalho artesanal que a marca tem ultimamente se proposto a fazer.

20h30 British Colony

A British Colony conseguiu ao mesmo tempo ser chique, tropical e poética. Olhando para formas já conhecidas da alfaiataria e exercitando novas propostas a marca entra nesse verão com cartela simples e otimista focada nos tons de azulados paradisíacos.

Assim o shape esportivo ganha blazers e a camisaria se desdobra em vestidos emprestando seus elementos como golas de arremeta metálico. Esses mesmos vestidos ganham transparências que na marca se traduziu numa das imagens mais chiques que revelam pernas e nuances de pele sem acabar revelando nada. Não entrega o jogo, sabe como? Estamparia feliz em paisagens e pinceladas do mesmo azul que permeia a coleção e de repente se irrompe por um look masculino goiaba monocromático. Honesta com sua clientela a marca ainda usa artifícios sinalizadores de tendências como o plissado e as pantalonas mas em momento algum perde seu DNA. Provavelmente, e mais uma vez, um dos melhores desfiles dessa temporada.

21h30 Ausländer

Ao que parece a Auslander não se preocupa em inovar, muito menos em apresentar um conceito que vá fazer alguém repensar o bom potencial que a marca tem. Pelo contrário, o comercial grita cada vez mais nas apresentações que se sustentam de um styling simpático ( dessa vez sai Felipe Veloso e entram José Camarano e Antonio Frajado ) e nas presenças de impacto ( nessa temporada os modelos Andrej Pejic e Rick Genest ).

Uma pena! O que poderia ter sido um grande motivo para a marca flertar com a androginia ou com a temática da aceitação do indíviduo que tem sido tão discutida ultimamente e aproveitar o gancho dos dois modelos convidados se traduziu em momentos tediosos. O estilo é quase aquele mesmo de sempre, um vestidinho com transparência aqui ( que poderia ter sido melhor pensado e melhor executado de formas a surpreender ), uma camisaria usada com bermuda ali e pronto. Confesso que gosto muito dos dois looks desfilados por Pejic e me pergunto se a marca não poderia ter enveredado por ali ousando mais em formas e idéias. Só por esses dois momentos já dão prova que vontades e capacidade existem.

Matéria jornalística: Bruno Tajes
Fotos: Fotosite