SPFW verao 2011...
Neste frio de inverno, estamos vendo moda verão e praia com qualidade e requinte nas passarelas da Bienal. Uma moda mais comercial esta sendo usada pelos estilistas em tempos de crise. A rodagigante, os traillers, tobogã, cataventos e o grafismo afro nas paredes remetendo o país da copa, trouxe a liberdade de viver a vida feliz, tema desta edição. A dupla de arquitetos, Daniela Thomas e Felipe Tessaro, apostam neste tema que realmente trouxe beleza ao pavilhão de Niemeyer.
Os lounges trouxeram influência as vésperas da copa do mundo, entre os lounges ja visitados, Banco do Brasil ESTILO, veio logo na entrada com uma contagiante torcida em meio a espelhos, até chegar ao charmoso espaço que trouxe uma parceria junto a sandálias Ipanema que também tem destaque em seu espaço hiper mega colorido e remetendo as praias Caribenhas. Em SEDA podemos ver o lançamento de sua linha, um produto capilar que protege os penteados mais poderosos deste verão, com a presença de Teddy Charles , expert cabelereiro francês, especialista em linhas de controle de volume, o lounge ofereceu a seus convidados VIP e celebridades uma lindissima bolsa em matelasse, pretinha básica, estilo maleta, com o novo produto em questão. L'officiel que esta arrebentando nos editoriais ao olhar do queridissimo Aldine Paiva, me presenteou com uma bolsa com laçarote colorido, de invejar.
Vogue, sempre VOGUE, com o mais luxuoso dos lounges, teve patrocinio dos esmaltes IMPALA que ofereciam a suas convidadas as mais novas cores deste verão, junto a uma necessaire dourado ouro, mimo entre as fashionistas. Caras em seu lounge, este ano muito charmoso, traz um buffet impecável de comidinhas e um entra e sai de gente famosa e importante, todas as mais mais dão uma esticadinha por ali, é sem duvida o lugar para quem quer ver e ser visto em todo o evento.
Os próximos lounges e mimos oferecidos, conto em breve, nos proximos dias do evento, e abaixo apresento o que achei de interessante destes primeiros desfiles e algumas afinetadas, em busca de melhorias para as próximas edições.
Quarta-feira, 09 de junho
15h00 Forum Tufi Duek


No inverno da marca pudemos notar a estética em preto e branco do fotógrafo Helmut Newton, ja nesse verão a marca aposta nas linhas mais pura do estilista Helmut Lang. Assim, Eduardo propõe um jogo interessante de sobreposição de transparências em vestidos mais soltos e de estética plástica que ganham também camisetas. E é esse brilho do plástico que faz a diferença na coleção da marca onde texturas como as de meia arrastão e escama de peixe aparecem em contraste com peças lisas. O foco, para a marca é sair exatamente do sexy exagerado e partir para um exercício de linhas mais puras e com padronagens neutras.
É ótimo o jogo de recortes nos plásticos além de momentos onde texturas acontecem e a geometria nas formas se faz presente. Eduardo Pombal está fazendo um ótimo trabalho de limpeza dos excessos da marca e está com precisão ímpar, resgatando bons momentos dos anos 90.
16h00 Erika Ikezili


Inspirada nos Brokpas, povo que habita a região do Butão e que se enfeita de flores, Érika Ikezili toma esse gancho para seus florais em cores fortes para o verão 2011. O que poderia ter sido amenizado em questão de colaração e formas acabou por sinalizar excessos desnecessários para a temporada da marca como nos drapeados sobrepostos a vestidos estampados.
É mais interessante quando os vestidos são construídos de forma mais leves e ganham crash de tecidos listrados em tons fluo além da série em branco do final do desfile. Aposto no look onde calça de cintura alta e recortes contrastantes se combinam com tomara que caia amarelo com trama em lurex roxo que culmina numa borboleta em 3D. Quando se tenta abraçar vários elementos de uma vez a estilista se perde e acaba por criar imagens confusas e difíceis.
17h30 Priscilla Darolt


Priscilla Darolt é uma das estilistas que mais admiro por não trair suas vontades. Temporada após temporada a estilista se especializa cada vez mais trabalhando com formas rígidas onde se mostra expert. Dessa vez o viés de sua coleção assumiu nas linhas mais geométricas do movimento Art Déco o seu melhor caráter. Se outrora Priscilla trabalhava com leves cetins acolchoados nessa temporada a camurça constrói seus vestidos recortados. Ainda que um tecido pesado para o verão, a estilista conseguiu ótimos momentos, dando continuidade ao seu trabalho e criando novos momentos "armadura" como nas peças desfiladas em preto.
19h00 Rosa Chá


A Rosa Chá não quer se enquadrar mais no patamar de moda praia, o que explica a temática de seu verão que passei pela dança de salão. Alexandre Herchcovitch reposiciona o produto da marca numa coleção que tem modelagem certeira em corsets e peças do universo lingerie justas em contraposição a vestidos com saias de babados e até uma onde a roda da saia chega a ter 25m. Se o floral está em voga, Alexandre escolhe o antúrio para estampar maiôs, biquínis e vestidos além dos recortes múltiplos que fazem par com transparências bem sexy sem ser vulgar.
Um trabalho de forma que respeita os limites do corpo colocando tudo, cintura, busto, quadril em seu lugar e provando a excelência de Alexandre na precisão de corte e construção de peças.
20h15 Reserva


Melhor, impossível! Os meninos da Reserva dão uma tiro certeiro nesse verão em coleção comercial e quebrando barreiras estilísticas do guarda roupa masculino. A inspiração vem dos anos 70 com os Zboys da califórnia e mescla skate com surf. Recortes contrastantes acontecem nos micro shorts, ótimas cavas e decotes nas camisas de tecido leve ou no tricô detonado e fino, sobreposição de shorts e bermudas, ótimos xadrezes na camisaria usada aberta e crash de padronagens e cores fortes em algumas peças ou na construção dos looks foram alguns artifícios bem utilizados pela marca.
Ainda assim suas calças são mais secas na área do quadril e abrem numa espécie de boca de sino comedida na parte de baixo e são puro luxo. Neoprene ganha camisetas e bermudas com zíper que aliás recortam também casacos em patch de cores. O animal print e o floral estampam bermudas, camisas e camisetas e fechando assim uma ótima apresentação de produto da Reserva.
21h30 Cia Marítima


O Marrocos é o fio condutor do verão da Cia Maritma. A modelagem pequena e cavada de maiôs biquínis ganha moedinhas e bordados que imitam as roupas de danças da região. Mais interessante é quando as culturas ( praia e marroquina ) se misturam e ganham um maiô com panejamento solto e short ganha construção ao estilo de sarongue curtinho. Tops curtos em tricô ganham bordados nas mangas e calças harém esvoaçantes são usadas como boas saídas de praia. A marca apresenta coleção alegre com estamparia inspirada em motivos marroquinos e peças como broches em metais e pedrarias são utilizados como decoração em alças de um ombro só. Os caftãs que a marca gosta são válidos para essa temporada num lindo tom de azul clarinho ou no estampado. A Cia Maritma reforça sua imagem mulherão que, de uns tempos pra cá, se mostra menos vulgar e mais sofisticada.
Quinta-feira, 10 de junho
12h30 Iódice


Em uma coleção de 44 looks, a Iódice atira para todos os lados ao apresentar certa coerência que se perde em meio a tantas referências. Um perfume Versace está presente nos vestidos mais curtos e justos com drapeado, a estética Phoebe Philo para a Celine está nas saias de cintura alta e camisteas curtas em couro e nos cortes simples de muitas peças, e assim por diante. Existem muitas coisas lindas que evocam feminilidade como as peças de saias rodadas ou os vestidos de pontas assimétricas e esvoaçantes. O problema é que há um pouco de tudo e acaba por perder o valor com no momento bem no início do desfile onde a renda enfeita vestidos e casacos ou no momento onde a transparência ganha tecido telado. Do melhor, fico com a alfaiataria mais descomplicada como nas calças de shape largo ou nas vestes sem mangas.
15h00 Ellus


Com ares mais frescos a Ellus retoma uma de suas melhores fórmulas trabalhando uma estética mais natural. A inspiração passeia pelo Havaí e pelos uniformes de marinheiros com desfile dividido entre masculino e feminino. No feminino os comprimentos são curtos em saias e shorts com peças em nude de tecido fininho e esvoaçantes com uma certa transparência fazendo contraposição com o jeans mais escuro e lavado de silhueta mais justa em tops e calças. Vestidos em estilo camisão convivem com peças depitada mais sexy como é o caso de saias de cintura alta e vestidos acinturados em tecido estampado. Uma boa proposta da marca foi mesclar tecido acetinado com o jeans mais bruto em recortes de vestidos ou nas construção dos looks que trouxe essa leveza para a coleção sem perder o DNA da marca.
O masculino é mais interessante e é aí que explodem os florais havaianos na camisaria e shorts e os elementos de fardas da marinha na construção dos paletós de abotoamento duplo. No masculino as peças em jeans são mais claras e de shape mais solto em calças mais largas que vez ou outra ganha lavagem colour em tons lavados como verde ou laranja. As sobreposições de camisas ganham misturas entre o algodão e o jeans e como em outras apostas masculinas os shorts mais curtos ganham a vez. Coleção gostosa, com apelo de verão, trabalhada em cima do algodão e que resume um dos melhores pontos da Ellus.
17h00 Água de Coco por Liana Thomaz


A Água de Coco, em termos de moda é craque em duas coisas: modelar recortando biquínis incríveis e trabalhar a temática brasileira em suas coleções. A inspiração vem dos 17 Patrimônios da Humanidade no Brasil que tem nas ilustrações de Filipe Jardim o seu melhor momento em vestidos curtos e bermudas de cintura alta. Já o beachwear acontece melhor em suas versões lisas ou quando ganham momentos drapeados em maiôs. Os biquínis menores ganham mais atenção do que os de modelagem maior e o sutiã de um que ganha alça dupla e bojo em tecido esvoaçante é o que mais chama atenção. Da série maiôs ganha destaque os com recortes e de modelagem engana mamãe. Gosto muito também das versões de maiôs esportivos com a frente toda coberta.
18h00 Alexandre Herchcovitch (fem)


É primoroso o trabalho e o cuidado que Alexandre Herchcovitch tem com as formas. Nesse verão as cores predominam a sua coleção profusa de inspirações e que se destaca, entre elas, o abstracionismo americano. Assim, vestidos curtos com ótimo trabalho de mangas se revezam em uma única cor, ganham patch de blocos com efeito final pixalizado, machas de tintas e degradês em aerosol. Tudo com um efeito muito bonito e fresco, como pede o verão. O toque de Midas está nas magnas que são trabalhadas com volumes excessivos e um que tridimensional que ultrapassa o limite do corpo. Essa manga ainda ganha recortes e dobraduras. Os vestidos apresnetam aspecto rígido e fora eles o estilista sugere algumas boas calças mais justas e curtas, saias avolumadas e um macacão com detalhe de volume no pescoço. Coelção afiada que só poderia ter sido pensada por um gênio como Alexandre Herchcovitch.
19h00 Cori


Delícia de feminilidade proposta pelas estilistas Gisele Nasser e Andrea Ribeiro para a Cori. As roupas assumem ares de fim de semana e se vale em drapeados e muito panejamento em suas construções. A saia godê de comprimento curto e roda farta é usada com camisetas de malha bacanas numa melhor estética relaxadinha chique. O trabalho com o algodão em formas mais estruturadas como no macacão são ótimos e os fluidos fica com os drapeados em saias longas que lembra a ótima época da dupla da Neon frente à marca. Os vestidos estilo cocktail são incríveis assim como as peças com drapeados aplicados e plissados interessantes. As estilistas, com essa coleção, consegue chegar ao espírito da Cori, mais despojado e com peças que dialogam direto com a clientela da marca.
20h00 Osklen


Oskar Metsavaht mergulhou definitivamente na imensidão do mar nesse verão da Osklen. Sem as formas estranhas do inverno a marca abraça o corpo com shape justinho. Da espuma branca da praia ao azul mais intenso de grandes profundidades a marca evoluiu sua coleção com elementos coerente como a malha resinada fazendo as vezes de escama de peixe. A malha, aliás, é o tecido base dessa coleção tingida artesanalmente por Oskar e sua equipe. O drapeado ganham transparência da água em malha de tule e dão efeito de ondas do mar, mangas são feitas a partir de recortes do tecido sobreposto em camadas, alguma peças foram resinadas para dar uma cara molhada e pregueados fazem efeito de volume. O bacana do tingimento é a aparência de jeans que algumas peças como camisa e calças ganharam. Tricô em forma de rede e malha de veludo molhado só auxiliam a estética adquirida pela marca.
21h15 Triton


Menos conceitual e mais a cara de Paris Hilton, celebridade que personificou a cara da Triton nesse verão. Engraçadinha, sapeca, jovem e esperta. Karen Fuke faz coleção para menininhas que gostam de vestidinhos curtos e justos mas que não ficam só na área do sexy e usam também camisetas lúdicas com estampa de unicórnio com saia de babados avolumados, para dar um exemplo. É plural as referências e difícil não escorregar quando se faz um produto já existente e já sabido induzir desejo imediato. A marca se esforça para sair do óbvio e aplica franjas e texturas como laise em algodão em saias curtas. A série colorida vem com uma estética mais circense na construção dos vestidos e a Triton se dá bem com a estética plástica proposta nas saias dos vestidos em camada. É também interessante como a marca trabalha a transparência de forma jovem e fresca em vestidos xadrez.
Sexta-feira, 11 de junho
11h00 Cavalera


O baile de debutante, temática proposta pela Cavalera, serviu para entre muitas coisas proporcionar o ótimo mix de jeanswear com peças mais delicadas como os vestidos em renda que a marca desfilou. Aliás a lavagem do jeans proposto pela marca é uma delícia, um quase "passeio no parque" e vem clarinho com aspecto manchado bacana nas muitas peças de shape mais solto. Nessa temporada a Cavalera evolui sua moda para um campo mais soft e romântico com o uso de tafetá nos vestidos de saia volumosa. Alguns elementos militares aparecem em alusão ao príncipe que dança com a debutante no final da festa em peças em jeans e a transparência não tem nada de sexy e é usada com peças paetizadas por baixo, tudo num jeito bem teen de ser. Há bons momentos onde o cetim ganha a alfaiataria em paletós, casaqueto e calças. No final, as peças que seriam as mais caretas ganham vida com os tons em neon de verde e rosa que a marca usou como base para sobrepor à renda.
15h30 Maria Bonita


Daniele Jensen foca no que sabe fazer de melhor, trabalhar a brasilidade com uma óptica particular. Nesse verão a Maria Bonita segue para o Nordeste se inspirando no livro da fotógrafa Anna Mariani para criar uma coleção espaçosa e fresca com os tons de rosa, verde e amarelo que tanto aparecem nas fachadas das casas da qual Anna fotografa. Os tecidos amassados não sinalizam nenhuma novidade e nem as formas nas quais eles se propõem a construir. Boas calças e vestidos largos onde o melhor momento é quando entram os recortes nas peças até culminar em vazados com transparência no look final. Nada muito novo em uma coleção que é realmente o que se espera da marca.
16h30 Wilson Ranieri


Wilson Ranieri, com seu trabalho de moulage, já constrói imagens femininas faz muito tempo. Nessa coleção não é diferente e o bacana acontece com o uso de materiais novos como a transparência que vira calça soltinha ou as peças em tecidos amassados bem executados pelo estilista. Seus vestidos curtos em shape mais largo ganham alguns recortes de lingerie no nojo ao passo que peças mais justas ( e curtas ) ganham paetização e brilho acetinado. É uma coleção bonita com cartela de cores acertada e foco na modelagem que Wilson constrói a partir de experiências com o caimento dos tecidos. Ainda nesse campo, pode-se dizer que é mais um exercício bem feito do estilista.
17h30 Movimento


A África da Movimento é traduzida numa ótima opção de estampas que passeia pelos geométricos tribal e cai nas folhagens naturais. trabalho de formas é interessante com peças grandes e pequenas que ganham elementos bacanas e pouco usuais como os bolsos num hot pant em branco e estampado. Saindo do campo do beachwear, é bem interessante as peças da marca, algumas inspiradas em trajes safári e com macacões e jaquetas mais soltas e estampadas no melhor estilo utilitário. As texturas que aparecem nas peças finais poderiam ter sido melhor desenvolvidas durante a apresentação, ficaram ótimas e aderem ares novidadeiros à marca. Gosto bastante da moda focada da Movimento com opções de estampas que combinam com o clima praia e que tem de tudo para ser sucesso de vendas nesse verão.
18h30 Simone Nunes


A Bahia como cenário do movimento de contra cultura presente no filme Zabriskie Point do diretor Michelangelo Antonioni, essa é a inspiração de Simone Nunes para seu verão. Ótima temporada para a estilista exercitar suas vontades com os recortes que aparecem em florais grandes e outros motivos, tudo ao mesmo tempo.
Ótimo também o mix que passeia pela praia com o uso do neoprene e de uma modelagem mais relaxada nas formas soltas. Simone consegue misturar com eficácia as peças do beachwear com momentos em alfaiataria, ficou chique pela visão da estilista. No momento de brilho a marca consegue boas soluções velando as peças com tule num jogo de embrulha interessante. Fresca, a coleção é um desdobramento da própria beleza do desfile onde os cabelos aparecem molhados e bagunçados, faz um ótimo par com as peças easy going propostas para esse verão.
19h30 Samuel Cirnansck


Nesse verão, Samuel Cirnansck solta as bruxas numa coleção inspirada pelo Halloween. São inúmeros vestidos curtos com bordados de canutilhos formando desenhos de bruxas em vassouras, gato preto, abóboras, etc... tudo muito pouco interessante não fosse a técnica precisa na manufatura do estilista. Passado o momento de vestidos decorados com desenhos, o estilista larga mão em modelagens rígidas, armações que se inspiram no corset e num visual que evoca um espírito mais trevas, no bom sentido, de ser.
É daí que vem o questionamento se precisaria poluir uma coleção que até daria mais certo com alguns looks-fantasia do início da apresentação. É na reta final de seu desfile que o estilista mostra seu DNA e sana a questão da identidade de sua clientela no meio de toda a buxaria com peças de construção precisa e cores mais pé no chão.
21h00 FH por Fause Haten


As misturas, por estranho que pareçam, do inverno continuam em menos escala nessa coleção de verão. Fause Haten não precisa necessariamente apresentar coerência comercial em sua coleção já que suas vendas só acontecem com hora marcada para cada cliente, o que faz toda essa imagem se desmembrar em mil pedaços e desmistifica o imediatismo na hora da apresentação de suas idéias. Agora criando figurino para teatro, o estilista faz desse gancho o seu verão trabalhando dualidades com a temática da peça "O médico e o Monstro".
Isso tudo é melhor traduzido numa perfume ladylike dos anos 50 na construção de seus muitos vestidos além da combinação destoante que o estilista amarra entre, por exemplo, liso/volumoso ou preto/branco. Olhando mais de perto é preciso limpar certos exageros que acontecem a efeito de passarela porém há ótimos vestidos para a noite em versão curtinha de saias estruturadas. Os longos ganham paetização e corte reto, desenhando o corpo.
Sábado, 12 de junho
13h15 Reinaldo Lourenço


Reinaldo Lourenço pega carona na década de 60 para servir de base de shapes em seus vestidos mais curtos e de corte reto. Nessa temporada ele também se vale do automobilismo que fica mais consciente quando acontecem recortes coloridos e anatômicos em suas peças. Não há, efetivamente, nenhuma novidade e o estilista passeia por terras já conquistadas por ele.
Os vestidos propostos são uma graça, alguns ganham aplicação de texturas e flashes de cores como pink e coral. A base da coleção está nos neutros como o nude e o preto. É interessante a forma como algumas peças foram feitas com uma espécie de faixas que se interligam. Reinaldo ainda apresenta novas formas de chemise em versão mais deluxe com tecturas e laços em estética romântica, poderia ter sido melhor desenvolvido em detrimento aos vestidos recortados e coloridos que tomaram conta a partir do nono look. Ainda assim é uma coleção que agrada, na maioria, sua clientela já cativa.15h30
Jefferson Kulig


A moda de Jefferson Kulig tem ficado, cada vez mais, acessível aos olhos de quem vê. Para quem não lembra, faz algum tempo que o estilista dialogava na moda problemas da física e da química, por exemplo. Hoje em dia ele continua eperimentando, de forma mais leve e mais comercial, elementos que pintam aqui e ali em suas peças. Nesse verão vale muito o trabalho entre tecnológico e naturais onde num mesmo look ele mixa saia plástica com blusa estruturada em algodão, por exemplo. O que não deu muito certo foi o patriotismo estampado na forma de bandeira do Brasil em vestidos e casaquetos que são difíceis de usar, salvo em época de Copa do Mundo. O estilista se dá melhor quando a homenagem é mais sutil e estampa pássaros em blusas e adorna decote de vstidos com penas. Há também um ótimo trabalho, quase uma colagem de materiais como telados e tecidos em vestidos retos. Não fossem esses escorregões onde a causa é uma afobação por mostrar referências que não se combinam, o estilista teria, sem dúvidas, subido mais um degrau em seu trabalho.
16h30 Animale


Menos futuro e mais presente. Foi esse o sentimento que a Animale passou ao limpar, nesse verão, seus artifícios tecnológicos limitando-os ao couro com elastano ou o empapelado com folha fina de alumínio. Do melhor a maca fica mais pé no chão, com looks possíveis para agora, já! Com boa mistura entre rústico e tecnológico a Animale não desirtua de seu viés sexy e assim, vestidos, camisas e saias são justinhas e curtinhas. É sentido muito fortemente a influência da ótima estilista Priscilla Darolt, que integra a equipe de estilo da marca, onde são desfilados vestidos mais estruturados em forma cilíndrica. Para reforçar sua vontade de momento presente a marca larga a mão nos listrados, bordados, e renda que é usada quase como uma estampa em vestidos com manga e corpo em couro ( essa renda se apresenta na forma de um grande recorte na parte frontal da peça ), uma delícia. Telados e tecidos empapelados com brilho metálico também viram vestidos amassados, com assimetria e recortes. Uma ótima coleção que não deixa o DNA da marca de lado, porém o ameniza a explorar novas possibilidades.
20h00 Adriana Degreas


A pool party de Adriana Degreas é puro luxo. Isso se dá pelo fato da estilista ir buscar lá nos anos 30 a essência desse tipo de festa, um quase brinde a sexualidade. É nas suas construções e escolha de materiais que a estilista se distancia e muito do segmento beachwear na qual é classificada. Recortes e tecidos de um boudoir delicioso onde nudes acetinados ganham nervuras redesenhando bojos de sutiãs usados com hot pant.
Maiôs engana-mamãe incríveis com recortes em transparência, biquinis profusamente bordados em tom prateado. Para o pós piscina a marca apresentou vestidos em cetim, camisões bordados , macacões amplos em jérsei e vestidos jutos e curtos (um pouco demais). No final seus maiôs ganham cetim em formato de rosas na parte do busto e modelagem maior, quase um body com estampa preto e branco e texturas em preto. Uma belíssima coleção!
21h30 Lino Villaventura


Lino Villaventura é aquela velha história: plissado, drapeado, bordado, liso, estampado tudo ao mesmo tempo e agora. Para ser apreciada a cada temporada a coleção do estilista tem que ser desmembrada para aí sim ver, mesmo que sutil, sua evolução. Nessa temporada ele ensaia um já digerido efeito op art nas quatro primeiras entradas com peças de volume e em preto e branco. Seguindo acontece um trabalho de junção de fitas que formam tecidos em um dos momentos menos interessantes e mais deja vu da apresentação.
Daí pula para a parte mais interessante que mostra tendência como a lingerie em tops estampados e vestidos soltos e curtos. O masculino ganha macacões de fendas eróticas e assimetrias interessantes até culminar numa espécie de corset masculino usado com calças molengas de suspensórios. Lino ainda utiliza o xadrez em vestidos plissando-os de formas variadas e criando volumes, que também aparecem numa tentativa às vezes esforçadas demais de destacar peças como bermudas que melhor aconteceriam se estivessem com um corte mais simples. Ainda assim, Lino segue firme em seu trabalho e criando belíssimas imagens de moda que ficam mais evidente, nessa temporada, nos florais estampados da marca.
Domingo, 13 de junho
12h00 Do Estilista


Para falar de ciganos, o estilista Marcelo Sommer não se detém daquela imagem que povoa o imaginário de todas as pessoas quando o assunto surge. Marcelo fala de cigano no sentido de não pertencer a lugar algum e ao mesmo tempo a todos os lugares. Os looks, em sua maioria remetem ao universo country nos recortes e decorações da camisaria tanto no feminino quanto no masculino.
O feminino ainda ganha vestidos em babados e laçarotes (e aí sim um shape que lembra a roupa tradicional das ciganas que todos nós conhecemos). O masculino já apresenta peças mais rústicas com caimento de mini-túnicas na camisaria, bermudas e calças mais largas. Uma coleção com a cara de seu criador, com a utilização do xadrez em boas peças e com elementos que se faz presente no DNA direto da marca.
14h30 Neon


É de tirar o fôlego o verão 2011 da Neon. A marca se inspira em elementos do surf numa de suas melhores coleções de caráter quase 100% total no beachwear. O biquíni asa-delta ganha versão mais moderna nesta coleção e são incríveis, há o navy que pontua algumas peças como casacos e camisas. Interessante também as sobreposições com long em neoprene de recortes coloridos. O apelo ao plástico é otimamente trabalhado pela dupla Dudu Bertholini e Rita Comparato virando saia em cintura alta, encapando look com estampa de correntes e virando um belíssimo maiô com babados imensos lá pelo final da apresentação.
Surfistas estampam vestido coladinho de gola rolê ou viram recortes em peças estruturadas com um quê de camisaria. Do surfwear a marca também empresta os recortes de lisos em cores como rosa, laranja, verde e cinza, ultrafeminino! Ao final a Neon apresentou uma série de vestidos com babados imensos e rígidos em cores deliciosas.
16h00 João Pimenta


João Pimenta, estreante do São paulo Fashion Week, não se intimidou e apresentou uma das coleções mais poéticas e de carga histórica para seu verão. A história está ligada diretamente com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil e na escolha da cartela de cores, nos recortes da camisaria, nas texturas profusas, nos jaquetões e em peças como macacões decotados.
Em oposição à isso está o surfwer que o estilista trabalha em momentos onde o shape se desmembra para lembrar que a velha bermuda dos surfistas antes fora uma segunda pele de dormir, como é o caso do macacão citado mais acima que em um segundo momento reaparece em forma de bermudão. Há também uma alfaiataria clássica em muitas das peças do estilistas usado com malhas que lembram o long john numa das melhores misturas da temporada. Ainda que uma peça ou outra tenha o viés comercial logo de cara é bacana ver esse tipo de atitude mais fantasiosa e lúdica e relação a temática/produto e João Pimenta, com certeza deu o novo passo desde a Casa de Criadores com o pé direito.
17h00 Paola Robba


Nada muito novo no quesito inovações na coleção beachwear de Paola Robba. É uma coleção fácil, de comercial latente onde ainda assim, salvam-se boas idéias. No masculino a sunga que ganha recorte com aspecto rústico é uma das mais banacas. Há o momento print de onça onde biquínis, maiôs e sungas acontecem com a estampa da pele do animal e há também as peças que parecem feitas de juta, numa boa consciência do rústico editado pela marca. É bom também a sequência em preto e branco que fecha o desfile, em especial o engana-mamãe em faixas cruzadas.
18h00 Amapô


Trabalhando as festas regionais brasileiras, Carô Gold e Pitty Taliani, fez uma verdadeira homenagem à comemorações como as festas juninas e o maracatu. Vários elementos remetem à temática proposta pela marca como as franjas do maracatu que aparecem em diagonal enfeitando várias peças. Há também o trabalho de estamparia que reproduz bandeiras de vários Estados brasileiros distorcendo suas cores. Os recortes, para a Amapô, é em diagonal, mesclando tecidos com couro numa espécie de cinto que não é cinto e a marca se vale de amarrações em camisas redefinindo formas. A alfaiataria ganhou peso com o paletó sem gola, de shape largo e aplicação de babados em um dos lados. São justamente essas misturas de elementos e formas a cereja do bola dessa temporada para a Amapô que soube traduzir com precisão a miscelânea que faz as festas brasileiras serem tão divertidas.
19h00 Mario Queiroz


Não sei se foi a caracterização da maquiagem, porém estava mais do que óbvia, ao entrar a primeira túnica que Mario Queiroz dialogaria com um homem turco durante apresentação de seu verão. Do colorido arriscado do inverno o estilista pula para sequência de neutros como branco, gelo e cinza onde o foco é, além das túnicas e sarongues em alusão ao povo turco, o corte de alfaiataria em paletós retos, shorts curtos e calças.
Esse frescor, apesar de pouca ou nada novidade, só veio acrescentar na imagem do homem na qual Mario Queiroz trabalha. O sexy, menos provocativo aqui fica melhor mostrado na sutileza de uma blazer aberto ou na gola em V de muitas camisas melhor do que nos momentos de camiseta justinha. São ótimos os shapes mais largos com calças de gancho mais baixo que quase vira uma saruel. No quesito estampa, Mário se vale de motivos que aparecem em azulejos numa boa mostra do desapego dos excessos.
21h00 Colcci


Para a Colcci, torna-se necessário a presença de Gisele Bundchen, o que a agita e eleva o desfile da marca para o status de show da temporada. Nesse verão a marca é sobre pássaros e transparência ( e muitas! ). Elas acontecem já no primeiro look, desfilado por Gisele, com blusa de gola alta estampada e transparente usado com calça também estampada por motivos de fauna e flora. Essa transparência se repete em tops e calças no feminino e no masculino também trucado com uma aparência de tricô fino e nos telados que viram bermudas e camisas. A parte mais inteligente do uso dessa transparência acontece na série listrada em preto e branco que Shirley Mallman e Gisele Bundchen, em sua segunda entrada, desfilaram. É fresquinho e as peças vão direto para qualquer guarda-roupa, sem nenhuma preocupação. A marca poderia ter trabalhado mais a sua veia na alfaiataria já que foi acertado o paletó listrado em azul e branco desfilado por Daiane Conterato ao invés de se repetir com um produto que exala cifrões. Poderiam também ter se exercitado melhor nas soluções para a transparência treinando melhor sobreposições.
Segunda-feira, 14 de junho
13h15 Gloria Coelho


O trabalho incrível de Glória Coelho todos nós já conhecemos. Nessa temporada ele se traduz em boas peças feitas a partir de fitas costuradas uma do lado da outra que viram calça (menos interessante e de modelagem às vezes duvidosa) e vestidos. Há toda uma variação na aplicação dessas tiras e o melhor momento é quando elas ganham aspecto de babadinhos e formam peças inteiras como vestido e blusas.
O problema nessa temporada, para a marca, é que tudo ficou com cara de já conhecido, tanto o shape das peças, quanto as próprias peças. Além disso há um perfume de inverno que não condiz com o verão que tem sido pensado por outras marcas, não necessariamente uma cópia, as idéias precisam seguir uma mesma diretriz para melhor entendimento até do consumidor final. Nessa temporada, Glória fez o inverso num desfile raso sem muitas das inovações na qual a marca está acostumada a trabalhar.
16h00 Alexandre Herchcovitch (masc)


Entre um dos incentivadores da moda masculina está Alexandre Herchcovitch e isso se dá, ainda mais, pelo fato do estilista ser ainda um dos poucos que consegue reinventar clássicos. Nesse verão sua moda passeia por Magritte, Chaplin e Laranja Mecânica com explosão no dourado e tons neutros como o bege. Alexandre não dialoga com uma região específica, o que faz sua moda ganhar o interesse mundial, tamanho seu talento e precisão. Há, nessa coleção, as mesmas formas soltas do feminino porém com o foco numa leitura mas clássica de peças como casacos e camisas.
Falando na camisaria ela ganha estética plástica em tons de dourado e gravatinha azul. O estilista ainda dá um último tiro com o tom metálico ao utilizá-lo nos bordados que aparecem em algumas peças. O floral acontece em recortes na estampa em camiseta e num segundo momento como paletó e calça. As calças foram encarregadas de dar o tom mais freco ao desfile já que nesse verão além de largas elas acontecem mais curtas. Atenção para os chapéus que faz uma grande link entre as tres inspirações de Herchcovitch e merecem destaque numa coleção coesa e cheia de desejos de moda.
17h00 Ronaldo Fraga


Para o seu verão 2011, Ronaldo Fraga limpa excessos desnecessários e foca no produto, o que significa, essencialmente, que o estilista toma a dianteira na tentativa de mesclar regionalismo brasileiro com desejos de uma moda mais comercial. A obra "O turista aprendiz" de Mario de Andrade serviu de inspiração para a coleção do estilista que segue firme com seu shape largo do corpo mas que preza, em sua maioria, pelo comercial escrachado. Isso se faz valer nos momentos onde os curtos se fazem presente e a marca ainda se mostra na onda das tendências quando vestidos acontecem com cintura marcada numa silhueta super feminina. Nessa temporada, Ronaldo também apresenta sobreposições espertas e bases em algodão e seda que viram belas rendas adornando as peças. Os bordados fazem as vezes de caligrafia com nomes e motivos em linhas coloridas. Clash de estampa acontece num esperto jogo de floral com xadrez em tom marinho que pontua uma coleção que passeia pelo branco e tons lavados. Ainda assim, ao focar no comercial, Ronaldo Fraga deixa para trás seu viés poético que já emocionou muitos, porém a moda é efêmera e mudanças (sempre) são necessárias.
Matéria Jornalistica: Bruno Tajes e Paloma Linhares
Fotografias: fotosite
Os lounges trouxeram influência as vésperas da copa do mundo, entre os lounges ja visitados, Banco do Brasil ESTILO, veio logo na entrada com uma contagiante torcida em meio a espelhos, até chegar ao charmoso espaço que trouxe uma parceria junto a sandálias Ipanema que também tem destaque em seu espaço hiper mega colorido e remetendo as praias Caribenhas. Em SEDA podemos ver o lançamento de sua linha, um produto capilar que protege os penteados mais poderosos deste verão, com a presença de Teddy Charles , expert cabelereiro francês, especialista em linhas de controle de volume, o lounge ofereceu a seus convidados VIP e celebridades uma lindissima bolsa em matelasse, pretinha básica, estilo maleta, com o novo produto em questão. L'officiel que esta arrebentando nos editoriais ao olhar do queridissimo Aldine Paiva, me presenteou com uma bolsa com laçarote colorido, de invejar.
Vogue, sempre VOGUE, com o mais luxuoso dos lounges, teve patrocinio dos esmaltes IMPALA que ofereciam a suas convidadas as mais novas cores deste verão, junto a uma necessaire dourado ouro, mimo entre as fashionistas. Caras em seu lounge, este ano muito charmoso, traz um buffet impecável de comidinhas e um entra e sai de gente famosa e importante, todas as mais mais dão uma esticadinha por ali, é sem duvida o lugar para quem quer ver e ser visto em todo o evento.
Os próximos lounges e mimos oferecidos, conto em breve, nos proximos dias do evento, e abaixo apresento o que achei de interessante destes primeiros desfiles e algumas afinetadas, em busca de melhorias para as próximas edições.
Quarta-feira, 09 de junho
15h00 Forum Tufi Duek
No inverno da marca pudemos notar a estética em preto e branco do fotógrafo Helmut Newton, ja nesse verão a marca aposta nas linhas mais pura do estilista Helmut Lang. Assim, Eduardo propõe um jogo interessante de sobreposição de transparências em vestidos mais soltos e de estética plástica que ganham também camisetas. E é esse brilho do plástico que faz a diferença na coleção da marca onde texturas como as de meia arrastão e escama de peixe aparecem em contraste com peças lisas. O foco, para a marca é sair exatamente do sexy exagerado e partir para um exercício de linhas mais puras e com padronagens neutras.
É ótimo o jogo de recortes nos plásticos além de momentos onde texturas acontecem e a geometria nas formas se faz presente. Eduardo Pombal está fazendo um ótimo trabalho de limpeza dos excessos da marca e está com precisão ímpar, resgatando bons momentos dos anos 90.
16h00 Erika Ikezili
Inspirada nos Brokpas, povo que habita a região do Butão e que se enfeita de flores, Érika Ikezili toma esse gancho para seus florais em cores fortes para o verão 2011. O que poderia ter sido amenizado em questão de colaração e formas acabou por sinalizar excessos desnecessários para a temporada da marca como nos drapeados sobrepostos a vestidos estampados.
É mais interessante quando os vestidos são construídos de forma mais leves e ganham crash de tecidos listrados em tons fluo além da série em branco do final do desfile. Aposto no look onde calça de cintura alta e recortes contrastantes se combinam com tomara que caia amarelo com trama em lurex roxo que culmina numa borboleta em 3D. Quando se tenta abraçar vários elementos de uma vez a estilista se perde e acaba por criar imagens confusas e difíceis.
17h30 Priscilla Darolt
Priscilla Darolt é uma das estilistas que mais admiro por não trair suas vontades. Temporada após temporada a estilista se especializa cada vez mais trabalhando com formas rígidas onde se mostra expert. Dessa vez o viés de sua coleção assumiu nas linhas mais geométricas do movimento Art Déco o seu melhor caráter. Se outrora Priscilla trabalhava com leves cetins acolchoados nessa temporada a camurça constrói seus vestidos recortados. Ainda que um tecido pesado para o verão, a estilista conseguiu ótimos momentos, dando continuidade ao seu trabalho e criando novos momentos "armadura" como nas peças desfiladas em preto.
19h00 Rosa Chá
A Rosa Chá não quer se enquadrar mais no patamar de moda praia, o que explica a temática de seu verão que passei pela dança de salão. Alexandre Herchcovitch reposiciona o produto da marca numa coleção que tem modelagem certeira em corsets e peças do universo lingerie justas em contraposição a vestidos com saias de babados e até uma onde a roda da saia chega a ter 25m. Se o floral está em voga, Alexandre escolhe o antúrio para estampar maiôs, biquínis e vestidos além dos recortes múltiplos que fazem par com transparências bem sexy sem ser vulgar.
Um trabalho de forma que respeita os limites do corpo colocando tudo, cintura, busto, quadril em seu lugar e provando a excelência de Alexandre na precisão de corte e construção de peças.
20h15 Reserva
Melhor, impossível! Os meninos da Reserva dão uma tiro certeiro nesse verão em coleção comercial e quebrando barreiras estilísticas do guarda roupa masculino. A inspiração vem dos anos 70 com os Zboys da califórnia e mescla skate com surf. Recortes contrastantes acontecem nos micro shorts, ótimas cavas e decotes nas camisas de tecido leve ou no tricô detonado e fino, sobreposição de shorts e bermudas, ótimos xadrezes na camisaria usada aberta e crash de padronagens e cores fortes em algumas peças ou na construção dos looks foram alguns artifícios bem utilizados pela marca.
Ainda assim suas calças são mais secas na área do quadril e abrem numa espécie de boca de sino comedida na parte de baixo e são puro luxo. Neoprene ganha camisetas e bermudas com zíper que aliás recortam também casacos em patch de cores. O animal print e o floral estampam bermudas, camisas e camisetas e fechando assim uma ótima apresentação de produto da Reserva.
21h30 Cia Marítima
O Marrocos é o fio condutor do verão da Cia Maritma. A modelagem pequena e cavada de maiôs biquínis ganha moedinhas e bordados que imitam as roupas de danças da região. Mais interessante é quando as culturas ( praia e marroquina ) se misturam e ganham um maiô com panejamento solto e short ganha construção ao estilo de sarongue curtinho. Tops curtos em tricô ganham bordados nas mangas e calças harém esvoaçantes são usadas como boas saídas de praia. A marca apresenta coleção alegre com estamparia inspirada em motivos marroquinos e peças como broches em metais e pedrarias são utilizados como decoração em alças de um ombro só. Os caftãs que a marca gosta são válidos para essa temporada num lindo tom de azul clarinho ou no estampado. A Cia Maritma reforça sua imagem mulherão que, de uns tempos pra cá, se mostra menos vulgar e mais sofisticada.
Quinta-feira, 10 de junho
12h30 Iódice
Em uma coleção de 44 looks, a Iódice atira para todos os lados ao apresentar certa coerência que se perde em meio a tantas referências. Um perfume Versace está presente nos vestidos mais curtos e justos com drapeado, a estética Phoebe Philo para a Celine está nas saias de cintura alta e camisteas curtas em couro e nos cortes simples de muitas peças, e assim por diante. Existem muitas coisas lindas que evocam feminilidade como as peças de saias rodadas ou os vestidos de pontas assimétricas e esvoaçantes. O problema é que há um pouco de tudo e acaba por perder o valor com no momento bem no início do desfile onde a renda enfeita vestidos e casacos ou no momento onde a transparência ganha tecido telado. Do melhor, fico com a alfaiataria mais descomplicada como nas calças de shape largo ou nas vestes sem mangas.
15h00 Ellus
Com ares mais frescos a Ellus retoma uma de suas melhores fórmulas trabalhando uma estética mais natural. A inspiração passeia pelo Havaí e pelos uniformes de marinheiros com desfile dividido entre masculino e feminino. No feminino os comprimentos são curtos em saias e shorts com peças em nude de tecido fininho e esvoaçantes com uma certa transparência fazendo contraposição com o jeans mais escuro e lavado de silhueta mais justa em tops e calças. Vestidos em estilo camisão convivem com peças depitada mais sexy como é o caso de saias de cintura alta e vestidos acinturados em tecido estampado. Uma boa proposta da marca foi mesclar tecido acetinado com o jeans mais bruto em recortes de vestidos ou nas construção dos looks que trouxe essa leveza para a coleção sem perder o DNA da marca.
O masculino é mais interessante e é aí que explodem os florais havaianos na camisaria e shorts e os elementos de fardas da marinha na construção dos paletós de abotoamento duplo. No masculino as peças em jeans são mais claras e de shape mais solto em calças mais largas que vez ou outra ganha lavagem colour em tons lavados como verde ou laranja. As sobreposições de camisas ganham misturas entre o algodão e o jeans e como em outras apostas masculinas os shorts mais curtos ganham a vez. Coleção gostosa, com apelo de verão, trabalhada em cima do algodão e que resume um dos melhores pontos da Ellus.
17h00 Água de Coco por Liana Thomaz
A Água de Coco, em termos de moda é craque em duas coisas: modelar recortando biquínis incríveis e trabalhar a temática brasileira em suas coleções. A inspiração vem dos 17 Patrimônios da Humanidade no Brasil que tem nas ilustrações de Filipe Jardim o seu melhor momento em vestidos curtos e bermudas de cintura alta. Já o beachwear acontece melhor em suas versões lisas ou quando ganham momentos drapeados em maiôs. Os biquínis menores ganham mais atenção do que os de modelagem maior e o sutiã de um que ganha alça dupla e bojo em tecido esvoaçante é o que mais chama atenção. Da série maiôs ganha destaque os com recortes e de modelagem engana mamãe. Gosto muito também das versões de maiôs esportivos com a frente toda coberta.
18h00 Alexandre Herchcovitch (fem)
É primoroso o trabalho e o cuidado que Alexandre Herchcovitch tem com as formas. Nesse verão as cores predominam a sua coleção profusa de inspirações e que se destaca, entre elas, o abstracionismo americano. Assim, vestidos curtos com ótimo trabalho de mangas se revezam em uma única cor, ganham patch de blocos com efeito final pixalizado, machas de tintas e degradês em aerosol. Tudo com um efeito muito bonito e fresco, como pede o verão. O toque de Midas está nas magnas que são trabalhadas com volumes excessivos e um que tridimensional que ultrapassa o limite do corpo. Essa manga ainda ganha recortes e dobraduras. Os vestidos apresnetam aspecto rígido e fora eles o estilista sugere algumas boas calças mais justas e curtas, saias avolumadas e um macacão com detalhe de volume no pescoço. Coelção afiada que só poderia ter sido pensada por um gênio como Alexandre Herchcovitch.
19h00 Cori
Delícia de feminilidade proposta pelas estilistas Gisele Nasser e Andrea Ribeiro para a Cori. As roupas assumem ares de fim de semana e se vale em drapeados e muito panejamento em suas construções. A saia godê de comprimento curto e roda farta é usada com camisetas de malha bacanas numa melhor estética relaxadinha chique. O trabalho com o algodão em formas mais estruturadas como no macacão são ótimos e os fluidos fica com os drapeados em saias longas que lembra a ótima época da dupla da Neon frente à marca. Os vestidos estilo cocktail são incríveis assim como as peças com drapeados aplicados e plissados interessantes. As estilistas, com essa coleção, consegue chegar ao espírito da Cori, mais despojado e com peças que dialogam direto com a clientela da marca.
20h00 Osklen
Oskar Metsavaht mergulhou definitivamente na imensidão do mar nesse verão da Osklen. Sem as formas estranhas do inverno a marca abraça o corpo com shape justinho. Da espuma branca da praia ao azul mais intenso de grandes profundidades a marca evoluiu sua coleção com elementos coerente como a malha resinada fazendo as vezes de escama de peixe. A malha, aliás, é o tecido base dessa coleção tingida artesanalmente por Oskar e sua equipe. O drapeado ganham transparência da água em malha de tule e dão efeito de ondas do mar, mangas são feitas a partir de recortes do tecido sobreposto em camadas, alguma peças foram resinadas para dar uma cara molhada e pregueados fazem efeito de volume. O bacana do tingimento é a aparência de jeans que algumas peças como camisa e calças ganharam. Tricô em forma de rede e malha de veludo molhado só auxiliam a estética adquirida pela marca.
21h15 Triton
Menos conceitual e mais a cara de Paris Hilton, celebridade que personificou a cara da Triton nesse verão. Engraçadinha, sapeca, jovem e esperta. Karen Fuke faz coleção para menininhas que gostam de vestidinhos curtos e justos mas que não ficam só na área do sexy e usam também camisetas lúdicas com estampa de unicórnio com saia de babados avolumados, para dar um exemplo. É plural as referências e difícil não escorregar quando se faz um produto já existente e já sabido induzir desejo imediato. A marca se esforça para sair do óbvio e aplica franjas e texturas como laise em algodão em saias curtas. A série colorida vem com uma estética mais circense na construção dos vestidos e a Triton se dá bem com a estética plástica proposta nas saias dos vestidos em camada. É também interessante como a marca trabalha a transparência de forma jovem e fresca em vestidos xadrez.
Sexta-feira, 11 de junho
11h00 Cavalera
O baile de debutante, temática proposta pela Cavalera, serviu para entre muitas coisas proporcionar o ótimo mix de jeanswear com peças mais delicadas como os vestidos em renda que a marca desfilou. Aliás a lavagem do jeans proposto pela marca é uma delícia, um quase "passeio no parque" e vem clarinho com aspecto manchado bacana nas muitas peças de shape mais solto. Nessa temporada a Cavalera evolui sua moda para um campo mais soft e romântico com o uso de tafetá nos vestidos de saia volumosa. Alguns elementos militares aparecem em alusão ao príncipe que dança com a debutante no final da festa em peças em jeans e a transparência não tem nada de sexy e é usada com peças paetizadas por baixo, tudo num jeito bem teen de ser. Há bons momentos onde o cetim ganha a alfaiataria em paletós, casaqueto e calças. No final, as peças que seriam as mais caretas ganham vida com os tons em neon de verde e rosa que a marca usou como base para sobrepor à renda.
15h30 Maria Bonita
Daniele Jensen foca no que sabe fazer de melhor, trabalhar a brasilidade com uma óptica particular. Nesse verão a Maria Bonita segue para o Nordeste se inspirando no livro da fotógrafa Anna Mariani para criar uma coleção espaçosa e fresca com os tons de rosa, verde e amarelo que tanto aparecem nas fachadas das casas da qual Anna fotografa. Os tecidos amassados não sinalizam nenhuma novidade e nem as formas nas quais eles se propõem a construir. Boas calças e vestidos largos onde o melhor momento é quando entram os recortes nas peças até culminar em vazados com transparência no look final. Nada muito novo em uma coleção que é realmente o que se espera da marca.
16h30 Wilson Ranieri
Wilson Ranieri, com seu trabalho de moulage, já constrói imagens femininas faz muito tempo. Nessa coleção não é diferente e o bacana acontece com o uso de materiais novos como a transparência que vira calça soltinha ou as peças em tecidos amassados bem executados pelo estilista. Seus vestidos curtos em shape mais largo ganham alguns recortes de lingerie no nojo ao passo que peças mais justas ( e curtas ) ganham paetização e brilho acetinado. É uma coleção bonita com cartela de cores acertada e foco na modelagem que Wilson constrói a partir de experiências com o caimento dos tecidos. Ainda nesse campo, pode-se dizer que é mais um exercício bem feito do estilista.
17h30 Movimento
A África da Movimento é traduzida numa ótima opção de estampas que passeia pelos geométricos tribal e cai nas folhagens naturais. trabalho de formas é interessante com peças grandes e pequenas que ganham elementos bacanas e pouco usuais como os bolsos num hot pant em branco e estampado. Saindo do campo do beachwear, é bem interessante as peças da marca, algumas inspiradas em trajes safári e com macacões e jaquetas mais soltas e estampadas no melhor estilo utilitário. As texturas que aparecem nas peças finais poderiam ter sido melhor desenvolvidas durante a apresentação, ficaram ótimas e aderem ares novidadeiros à marca. Gosto bastante da moda focada da Movimento com opções de estampas que combinam com o clima praia e que tem de tudo para ser sucesso de vendas nesse verão.
18h30 Simone Nunes
A Bahia como cenário do movimento de contra cultura presente no filme Zabriskie Point do diretor Michelangelo Antonioni, essa é a inspiração de Simone Nunes para seu verão. Ótima temporada para a estilista exercitar suas vontades com os recortes que aparecem em florais grandes e outros motivos, tudo ao mesmo tempo.
Ótimo também o mix que passeia pela praia com o uso do neoprene e de uma modelagem mais relaxada nas formas soltas. Simone consegue misturar com eficácia as peças do beachwear com momentos em alfaiataria, ficou chique pela visão da estilista. No momento de brilho a marca consegue boas soluções velando as peças com tule num jogo de embrulha interessante. Fresca, a coleção é um desdobramento da própria beleza do desfile onde os cabelos aparecem molhados e bagunçados, faz um ótimo par com as peças easy going propostas para esse verão.
19h30 Samuel Cirnansck
Nesse verão, Samuel Cirnansck solta as bruxas numa coleção inspirada pelo Halloween. São inúmeros vestidos curtos com bordados de canutilhos formando desenhos de bruxas em vassouras, gato preto, abóboras, etc... tudo muito pouco interessante não fosse a técnica precisa na manufatura do estilista. Passado o momento de vestidos decorados com desenhos, o estilista larga mão em modelagens rígidas, armações que se inspiram no corset e num visual que evoca um espírito mais trevas, no bom sentido, de ser.
É daí que vem o questionamento se precisaria poluir uma coleção que até daria mais certo com alguns looks-fantasia do início da apresentação. É na reta final de seu desfile que o estilista mostra seu DNA e sana a questão da identidade de sua clientela no meio de toda a buxaria com peças de construção precisa e cores mais pé no chão.
21h00 FH por Fause Haten
As misturas, por estranho que pareçam, do inverno continuam em menos escala nessa coleção de verão. Fause Haten não precisa necessariamente apresentar coerência comercial em sua coleção já que suas vendas só acontecem com hora marcada para cada cliente, o que faz toda essa imagem se desmembrar em mil pedaços e desmistifica o imediatismo na hora da apresentação de suas idéias. Agora criando figurino para teatro, o estilista faz desse gancho o seu verão trabalhando dualidades com a temática da peça "O médico e o Monstro".
Isso tudo é melhor traduzido numa perfume ladylike dos anos 50 na construção de seus muitos vestidos além da combinação destoante que o estilista amarra entre, por exemplo, liso/volumoso ou preto/branco. Olhando mais de perto é preciso limpar certos exageros que acontecem a efeito de passarela porém há ótimos vestidos para a noite em versão curtinha de saias estruturadas. Os longos ganham paetização e corte reto, desenhando o corpo.
Sábado, 12 de junho
13h15 Reinaldo Lourenço
Reinaldo Lourenço pega carona na década de 60 para servir de base de shapes em seus vestidos mais curtos e de corte reto. Nessa temporada ele também se vale do automobilismo que fica mais consciente quando acontecem recortes coloridos e anatômicos em suas peças. Não há, efetivamente, nenhuma novidade e o estilista passeia por terras já conquistadas por ele.
Os vestidos propostos são uma graça, alguns ganham aplicação de texturas e flashes de cores como pink e coral. A base da coleção está nos neutros como o nude e o preto. É interessante a forma como algumas peças foram feitas com uma espécie de faixas que se interligam. Reinaldo ainda apresenta novas formas de chemise em versão mais deluxe com tecturas e laços em estética romântica, poderia ter sido melhor desenvolvido em detrimento aos vestidos recortados e coloridos que tomaram conta a partir do nono look. Ainda assim é uma coleção que agrada, na maioria, sua clientela já cativa.15h30
Jefferson Kulig
A moda de Jefferson Kulig tem ficado, cada vez mais, acessível aos olhos de quem vê. Para quem não lembra, faz algum tempo que o estilista dialogava na moda problemas da física e da química, por exemplo. Hoje em dia ele continua eperimentando, de forma mais leve e mais comercial, elementos que pintam aqui e ali em suas peças. Nesse verão vale muito o trabalho entre tecnológico e naturais onde num mesmo look ele mixa saia plástica com blusa estruturada em algodão, por exemplo. O que não deu muito certo foi o patriotismo estampado na forma de bandeira do Brasil em vestidos e casaquetos que são difíceis de usar, salvo em época de Copa do Mundo. O estilista se dá melhor quando a homenagem é mais sutil e estampa pássaros em blusas e adorna decote de vstidos com penas. Há também um ótimo trabalho, quase uma colagem de materiais como telados e tecidos em vestidos retos. Não fossem esses escorregões onde a causa é uma afobação por mostrar referências que não se combinam, o estilista teria, sem dúvidas, subido mais um degrau em seu trabalho.
16h30 Animale
Menos futuro e mais presente. Foi esse o sentimento que a Animale passou ao limpar, nesse verão, seus artifícios tecnológicos limitando-os ao couro com elastano ou o empapelado com folha fina de alumínio. Do melhor a maca fica mais pé no chão, com looks possíveis para agora, já! Com boa mistura entre rústico e tecnológico a Animale não desirtua de seu viés sexy e assim, vestidos, camisas e saias são justinhas e curtinhas. É sentido muito fortemente a influência da ótima estilista Priscilla Darolt, que integra a equipe de estilo da marca, onde são desfilados vestidos mais estruturados em forma cilíndrica. Para reforçar sua vontade de momento presente a marca larga a mão nos listrados, bordados, e renda que é usada quase como uma estampa em vestidos com manga e corpo em couro ( essa renda se apresenta na forma de um grande recorte na parte frontal da peça ), uma delícia. Telados e tecidos empapelados com brilho metálico também viram vestidos amassados, com assimetria e recortes. Uma ótima coleção que não deixa o DNA da marca de lado, porém o ameniza a explorar novas possibilidades.
20h00 Adriana Degreas
A pool party de Adriana Degreas é puro luxo. Isso se dá pelo fato da estilista ir buscar lá nos anos 30 a essência desse tipo de festa, um quase brinde a sexualidade. É nas suas construções e escolha de materiais que a estilista se distancia e muito do segmento beachwear na qual é classificada. Recortes e tecidos de um boudoir delicioso onde nudes acetinados ganham nervuras redesenhando bojos de sutiãs usados com hot pant.
Maiôs engana-mamãe incríveis com recortes em transparência, biquinis profusamente bordados em tom prateado. Para o pós piscina a marca apresentou vestidos em cetim, camisões bordados , macacões amplos em jérsei e vestidos jutos e curtos (um pouco demais). No final seus maiôs ganham cetim em formato de rosas na parte do busto e modelagem maior, quase um body com estampa preto e branco e texturas em preto. Uma belíssima coleção!
21h30 Lino Villaventura
Lino Villaventura é aquela velha história: plissado, drapeado, bordado, liso, estampado tudo ao mesmo tempo e agora. Para ser apreciada a cada temporada a coleção do estilista tem que ser desmembrada para aí sim ver, mesmo que sutil, sua evolução. Nessa temporada ele ensaia um já digerido efeito op art nas quatro primeiras entradas com peças de volume e em preto e branco. Seguindo acontece um trabalho de junção de fitas que formam tecidos em um dos momentos menos interessantes e mais deja vu da apresentação.
Daí pula para a parte mais interessante que mostra tendência como a lingerie em tops estampados e vestidos soltos e curtos. O masculino ganha macacões de fendas eróticas e assimetrias interessantes até culminar numa espécie de corset masculino usado com calças molengas de suspensórios. Lino ainda utiliza o xadrez em vestidos plissando-os de formas variadas e criando volumes, que também aparecem numa tentativa às vezes esforçadas demais de destacar peças como bermudas que melhor aconteceriam se estivessem com um corte mais simples. Ainda assim, Lino segue firme em seu trabalho e criando belíssimas imagens de moda que ficam mais evidente, nessa temporada, nos florais estampados da marca.
Domingo, 13 de junho
12h00 Do Estilista
Para falar de ciganos, o estilista Marcelo Sommer não se detém daquela imagem que povoa o imaginário de todas as pessoas quando o assunto surge. Marcelo fala de cigano no sentido de não pertencer a lugar algum e ao mesmo tempo a todos os lugares. Os looks, em sua maioria remetem ao universo country nos recortes e decorações da camisaria tanto no feminino quanto no masculino.
O feminino ainda ganha vestidos em babados e laçarotes (e aí sim um shape que lembra a roupa tradicional das ciganas que todos nós conhecemos). O masculino já apresenta peças mais rústicas com caimento de mini-túnicas na camisaria, bermudas e calças mais largas. Uma coleção com a cara de seu criador, com a utilização do xadrez em boas peças e com elementos que se faz presente no DNA direto da marca.
14h30 Neon
É de tirar o fôlego o verão 2011 da Neon. A marca se inspira em elementos do surf numa de suas melhores coleções de caráter quase 100% total no beachwear. O biquíni asa-delta ganha versão mais moderna nesta coleção e são incríveis, há o navy que pontua algumas peças como casacos e camisas. Interessante também as sobreposições com long em neoprene de recortes coloridos. O apelo ao plástico é otimamente trabalhado pela dupla Dudu Bertholini e Rita Comparato virando saia em cintura alta, encapando look com estampa de correntes e virando um belíssimo maiô com babados imensos lá pelo final da apresentação.
Surfistas estampam vestido coladinho de gola rolê ou viram recortes em peças estruturadas com um quê de camisaria. Do surfwear a marca também empresta os recortes de lisos em cores como rosa, laranja, verde e cinza, ultrafeminino! Ao final a Neon apresentou uma série de vestidos com babados imensos e rígidos em cores deliciosas.
16h00 João Pimenta
João Pimenta, estreante do São paulo Fashion Week, não se intimidou e apresentou uma das coleções mais poéticas e de carga histórica para seu verão. A história está ligada diretamente com a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil e na escolha da cartela de cores, nos recortes da camisaria, nas texturas profusas, nos jaquetões e em peças como macacões decotados.
Em oposição à isso está o surfwer que o estilista trabalha em momentos onde o shape se desmembra para lembrar que a velha bermuda dos surfistas antes fora uma segunda pele de dormir, como é o caso do macacão citado mais acima que em um segundo momento reaparece em forma de bermudão. Há também uma alfaiataria clássica em muitas das peças do estilistas usado com malhas que lembram o long john numa das melhores misturas da temporada. Ainda que uma peça ou outra tenha o viés comercial logo de cara é bacana ver esse tipo de atitude mais fantasiosa e lúdica e relação a temática/produto e João Pimenta, com certeza deu o novo passo desde a Casa de Criadores com o pé direito.
17h00 Paola Robba
Nada muito novo no quesito inovações na coleção beachwear de Paola Robba. É uma coleção fácil, de comercial latente onde ainda assim, salvam-se boas idéias. No masculino a sunga que ganha recorte com aspecto rústico é uma das mais banacas. Há o momento print de onça onde biquínis, maiôs e sungas acontecem com a estampa da pele do animal e há também as peças que parecem feitas de juta, numa boa consciência do rústico editado pela marca. É bom também a sequência em preto e branco que fecha o desfile, em especial o engana-mamãe em faixas cruzadas.
18h00 Amapô
Trabalhando as festas regionais brasileiras, Carô Gold e Pitty Taliani, fez uma verdadeira homenagem à comemorações como as festas juninas e o maracatu. Vários elementos remetem à temática proposta pela marca como as franjas do maracatu que aparecem em diagonal enfeitando várias peças. Há também o trabalho de estamparia que reproduz bandeiras de vários Estados brasileiros distorcendo suas cores. Os recortes, para a Amapô, é em diagonal, mesclando tecidos com couro numa espécie de cinto que não é cinto e a marca se vale de amarrações em camisas redefinindo formas. A alfaiataria ganhou peso com o paletó sem gola, de shape largo e aplicação de babados em um dos lados. São justamente essas misturas de elementos e formas a cereja do bola dessa temporada para a Amapô que soube traduzir com precisão a miscelânea que faz as festas brasileiras serem tão divertidas.
19h00 Mario Queiroz
Não sei se foi a caracterização da maquiagem, porém estava mais do que óbvia, ao entrar a primeira túnica que Mario Queiroz dialogaria com um homem turco durante apresentação de seu verão. Do colorido arriscado do inverno o estilista pula para sequência de neutros como branco, gelo e cinza onde o foco é, além das túnicas e sarongues em alusão ao povo turco, o corte de alfaiataria em paletós retos, shorts curtos e calças.
Esse frescor, apesar de pouca ou nada novidade, só veio acrescentar na imagem do homem na qual Mario Queiroz trabalha. O sexy, menos provocativo aqui fica melhor mostrado na sutileza de uma blazer aberto ou na gola em V de muitas camisas melhor do que nos momentos de camiseta justinha. São ótimos os shapes mais largos com calças de gancho mais baixo que quase vira uma saruel. No quesito estampa, Mário se vale de motivos que aparecem em azulejos numa boa mostra do desapego dos excessos.
21h00 Colcci
Para a Colcci, torna-se necessário a presença de Gisele Bundchen, o que a agita e eleva o desfile da marca para o status de show da temporada. Nesse verão a marca é sobre pássaros e transparência ( e muitas! ). Elas acontecem já no primeiro look, desfilado por Gisele, com blusa de gola alta estampada e transparente usado com calça também estampada por motivos de fauna e flora. Essa transparência se repete em tops e calças no feminino e no masculino também trucado com uma aparência de tricô fino e nos telados que viram bermudas e camisas. A parte mais inteligente do uso dessa transparência acontece na série listrada em preto e branco que Shirley Mallman e Gisele Bundchen, em sua segunda entrada, desfilaram. É fresquinho e as peças vão direto para qualquer guarda-roupa, sem nenhuma preocupação. A marca poderia ter trabalhado mais a sua veia na alfaiataria já que foi acertado o paletó listrado em azul e branco desfilado por Daiane Conterato ao invés de se repetir com um produto que exala cifrões. Poderiam também ter se exercitado melhor nas soluções para a transparência treinando melhor sobreposições.
Segunda-feira, 14 de junho
13h15 Gloria Coelho
O trabalho incrível de Glória Coelho todos nós já conhecemos. Nessa temporada ele se traduz em boas peças feitas a partir de fitas costuradas uma do lado da outra que viram calça (menos interessante e de modelagem às vezes duvidosa) e vestidos. Há toda uma variação na aplicação dessas tiras e o melhor momento é quando elas ganham aspecto de babadinhos e formam peças inteiras como vestido e blusas.
O problema nessa temporada, para a marca, é que tudo ficou com cara de já conhecido, tanto o shape das peças, quanto as próprias peças. Além disso há um perfume de inverno que não condiz com o verão que tem sido pensado por outras marcas, não necessariamente uma cópia, as idéias precisam seguir uma mesma diretriz para melhor entendimento até do consumidor final. Nessa temporada, Glória fez o inverso num desfile raso sem muitas das inovações na qual a marca está acostumada a trabalhar.
16h00 Alexandre Herchcovitch (masc)


Entre um dos incentivadores da moda masculina está Alexandre Herchcovitch e isso se dá, ainda mais, pelo fato do estilista ser ainda um dos poucos que consegue reinventar clássicos. Nesse verão sua moda passeia por Magritte, Chaplin e Laranja Mecânica com explosão no dourado e tons neutros como o bege. Alexandre não dialoga com uma região específica, o que faz sua moda ganhar o interesse mundial, tamanho seu talento e precisão. Há, nessa coleção, as mesmas formas soltas do feminino porém com o foco numa leitura mas clássica de peças como casacos e camisas.
Falando na camisaria ela ganha estética plástica em tons de dourado e gravatinha azul. O estilista ainda dá um último tiro com o tom metálico ao utilizá-lo nos bordados que aparecem em algumas peças. O floral acontece em recortes na estampa em camiseta e num segundo momento como paletó e calça. As calças foram encarregadas de dar o tom mais freco ao desfile já que nesse verão além de largas elas acontecem mais curtas. Atenção para os chapéus que faz uma grande link entre as tres inspirações de Herchcovitch e merecem destaque numa coleção coesa e cheia de desejos de moda.
17h00 Ronaldo Fraga
Para o seu verão 2011, Ronaldo Fraga limpa excessos desnecessários e foca no produto, o que significa, essencialmente, que o estilista toma a dianteira na tentativa de mesclar regionalismo brasileiro com desejos de uma moda mais comercial. A obra "O turista aprendiz" de Mario de Andrade serviu de inspiração para a coleção do estilista que segue firme com seu shape largo do corpo mas que preza, em sua maioria, pelo comercial escrachado. Isso se faz valer nos momentos onde os curtos se fazem presente e a marca ainda se mostra na onda das tendências quando vestidos acontecem com cintura marcada numa silhueta super feminina. Nessa temporada, Ronaldo também apresenta sobreposições espertas e bases em algodão e seda que viram belas rendas adornando as peças. Os bordados fazem as vezes de caligrafia com nomes e motivos em linhas coloridas. Clash de estampa acontece num esperto jogo de floral com xadrez em tom marinho que pontua uma coleção que passeia pelo branco e tons lavados. Ainda assim, ao focar no comercial, Ronaldo Fraga deixa para trás seu viés poético que já emocionou muitos, porém a moda é efêmera e mudanças (sempre) são necessárias.
Matéria Jornalistica: Bruno Tajes e Paloma Linhares
Fotografias: fotosite