Casa de criadores 2011 - verão

A 27ª edição da Casa de Criadores acontece entre os dias 24 e 26 de maio no Shopping Frei Caneca, em São Paulo, esta confirmado o nome de apenas 12 marcas que serão mantidas no line-up oficial do evento, muitas delas deixaram de participar devido a não estarem dentro do padrão imposto pelo evento, que busca uma moda comercial acima de qualquer coisa e não apenas conceito, foram as palavras do criador e idealizador do evento André Hidalgo.

No primeiro dia do evento podemos analizar a moda de Jadson Raniere, que mostrou uma coleção mais equilibrada que remete a um dândi contemporâneo com um ar moderno. Silhuetas femininas e masculinas com inverssão de estilos, trouxe destaque ao seu desfile que mostrou homens vestindo saias fin´ssimas, super conceito, vamos só ver se esta moda pega. Trouxe camisas masculinas para mulheres com golas clássicas e mangas e golas es´téticamente enormes. O vestidos listrados em preto e branco, afunilando na cintura marcada e franzida levantou suspiros entre os que asssitiam o desfile que marcou com sua cartela de cores frias com toques de amarelo-limão.



Na moda masculina da Der Metropol (assinada por Mario Francisco), inspirada no Egito fashion, esta marca carregou nas estampas de penas azuladas em cima do tradicional branco, estampa esta interessante, porem muito usada, compondo praticamente todo o desfile. Como o de sempre, suas camisas são sempre destaque e uma delas em especial, mostrou uma alfaiataria de lapela de smoking, feita com dobraduras que desenhavam em relevo a peça.
As listras foram muito bem vistas e vestiram muito bem a todos os modelos que foram muito bem selecionados.
O tema Egito não ficou muito evidente, mas o todo valeu!



O queridissimo Rodrigo Rosner, teve a coragem de investir no EXAGERO, muito tule, plumas, camadas e mais camadas de tecidos, com pedrarias e bordados, trouxe uma moda festa forte e muito conceitual. Poucas peças estão comerciais, porem para aquela princesinha, caira perfeitamente bem.
Os bordados de grandes flores lembravam às roupas típicas da Hungria (inspiração da coleção), em tons mais fortes primários no fundo do vestido amarelo, curto na frente,usado com calça estilo legging brilhante texturizada do mesmo tom, e também no branco com flores em preto. Em outras passagens do desfile, o “over” é visto, porém a idéia de chocar, acredito que tenha sido a vontade do estilista, que não teve medo de abalar.




A dupla Weider Silveiro e Mark Greiner, da grife Purpure, cita a modificação corporal – de pequenas cirurgias plásticas a intervenções radicais como a de mudança de sexo.
Oh my god! Moda praia futurista e com capa de chuva é o que transpareceu esse desfile, que abusou do mal gosto. O make-up distuou da coleção, as modelos siliconadas e semi nuas deixaram a coleção com um ar pobre, as próteses de seios enormes feitas com base nos seios da travesti norte-americana Amanda Lepore - convidada especial da última edição da Casa de Criadores, remeteu a algo vulgar e que chamou mais atenção do que a própria coleção, mas tirando uma peça daqui e outra dali até podemos elogiar alguma coisa.
As peças que misturavam plástico com pelúcia, como a capa transparente com pelúcia preta e detalhes em dourado. chocou!
A regata band-aid foi a melhor peça, pois teve criatividade e sutileza.



Fechando a primeira noite de desfile, Geraldo Couto, com uma coleção inspirada nas mulheres etruscas medievais, fez bonito e desta vez conseguiu seguir a estação em foco com o tecido adequado. Trouxe em seu casting a queridissima Marina Dias que estava com uma luz e simpatia contagiante.
Veus, lurex, seda, musseline e tafetá foram usados em longos em tons de azul royal, dourado e vermelhão passando pelos tons, do cereja ao vinho.
Os acessórios styling em correntes douradas foi um luxo só, e roubou a cena, fazendo com que o desfile recebesse os aplausos merecidos.



2ND Day

Agora é a vez dos novos criadores, projeto LAB, e para abrir esta sequencia de poucos looks porem com elegante qualidade, Luiz Leite, vencedor da primeira edição do Fashion Mob, ocorrido em novembro de 2009, abriu os desfiles trazendo uma coleção masculina inspirada no trabalho do jardineiro – cujo tema era “Jardim Orgânico” - e tendo como peça-chave a jardineira. Esta permeou toda a coleção e recebeu influências da alfaiataria.
O obvio prevalesceu, não vimos nada que causasse um forte furor, mas o todo foi interessante, compondo com as camisas de alfaiataria com decote careca e abotoamento duplo em diagonal. No pensamento styling, a flor "antúrio" foi o ícone eleito pelo estilista para permear suas criações que complementam com as camisetas em decotes “V”, junto a malhas transparentes, nas cores branco e azul petróleo, regatas, calça de alfaiataria, capuz e abotoamentos um pouco exagerados.



Ex integrante da fabrica Benetton, Gabriela Sakate também conquistou seu espaço junto aos novos estilistas do projeto Lab, ela que evidenciou uma coleção lúdica inspirada no trabalho do designer espanhol Jaime Hayon, trouxe um desfile que chamou atenção. Sua inspiração traduz silhuetas polidas, sem marcar o corpo, foi a única a pensar também nas mulheres de peso mais acima, tecidos fluídos e fibras naturais foram muito bem empregados. As cores são claras e fogem para tons avermelhados. A estamparia foi usada com um forte destaque aos contrastes e figuras circulares que remeteram a um tunel do tempo. Entre os destaques da coleção, estão peças com estampa metalizada sobre paetês e a viscolycra foi uito bem empregada em longos e peças compridas.



O nome da próxima marca é Juss, e teve este nome dado devido a estilista Juliana Sousa querer que seja feito justiça, em lançar novos estilistas e introduzi-los neste competitivo mercado de trabalho que é o ramo da moda. Para esta estação a marca aposta em peças delicadas, onde as formas amplas e os comprimentos curtos refletem às referências retrô do processo criativo da designer. Com tecidos leves, e até mesmo acetinados, em geral, mais restrito à moda feminina, é balanceado a sua moda masculina mais tradicional e atual, sem grandes novidades.
Destacando as influências emprestadas das décadas de 50 e 60, trouxe em sua coleção o retrato de uma rebeldia marcada pela cultura dos “Mods”, que apostou dos seus shortinhos combinados às camisas, paletós e coletes, que mesclam com o toque clássico da alfaiataria modernidade que esteve muito bem marcada com texturas novas e cores pastéis, fazendo juss ao que lhe foi solicitado, que é de uma coleção fina!



Em seguida, Cynthia Hayashi que garantiu sua participação no Lab ao ganhar a segunda edição do Projeto Ponto Zero, esta estilista levou para à passarela, uma coleção de ares leves e delicados. Baseada na comovente história de Jean Dominique Bauby, redator da revista Elle francesa que teve suas funções motoras deterioradas após sofrer um derrame a quinze anos atrás e emprestou o drama e posteriores conquistas de sua vida real, para o filme intitulado “O Escafandro e a Borboleta”. A estilista retrata de maneira delicada a mensagem positiva que visa mexer com os ânimos dos espectadores convidados a viverem de forma mais intensa, viver mais suave e com amor! A coleção teve uma base surrealista, cores pálidas e charmosas, formas próximas ao corpo com shapes ajustados e tecidos de caimento leve e fluído, pequenas estampas e babados de rendas e barbatanas provando a sutileza de uma peça batendo com a sutileza de saber viver bem. A “segunda pele” que usou, também teve um diferencial, sendo mais limpas e leves e recortes volumosos aplicados em saias e nos quadris. As calças "carrot" da estação passada, prevalescem neste desfile de verão, que conseguiu emocianar com sutileza e verdade.



Fechando o bloco dos novos estilistas do projeto LAB, Yoon Hee investiu em materiais ora leves, ora de caimento mais pesado, que mostraram diferenças fortes as peças, porém sempre seguindo o mesmo tom neutro e suave, como os cinzas, tons da pele e chumbo. Um volume grandioso valorizando ainda mais as curvas femininas, pesando um pouco nos ombros, e quadris principalmente, através de umas estruturas que remeteram uniformes de futebol americano, não sie se coube, da meneira imposta, tendo em vista que muitos pareceram estar caindo e não presos como deveriam. Sua coleção trouxe uma silhueta que não se prende por completo ao corpo, este desfile total assimetrico chamou atenção e pensando mais comercialmente, as leggings metalizadas que foram destaque no inverno passado prevalesceram em seu desfile.
Um começo interessante porém melhores pesquisas para a próxima estação, será bem vindo.



Quantos novos estilistas,
quanta criação e ousadia,
a Moda Brasil merece este espaço.
Parabéns aos insentivadores que abrem este espaço a tanta gente interessante e novos criadores que trazem através de suas coleções fortes expressões de personalidade. Valorizando talentos por todo o Brasil.


Voltando aos ja experientes e assíduos da casa...

Em sua impecável moda festa, Rober Dognani me conta que sua inspiração saiu de suas memórias, quando asssitiu na TV a abertura da novela Tititi em 1985, e aquela exuberancia no vestido vermelho o chamou e fêz acreditar em sue talento com a Moda. Nesta coleção trouxe vestido com muitas pregas, drapeados e babados. A siihueta de sereia permaneceu na memória do estilista e nessa coleção pode ser vista tanto em saias com babado como em vestidos. A peças de um ombro apenas também tiveram destaque balanceando com a alfaiataria desconstruida e seus laços que remeteram muito a década de 50. Uma coleção chic e que fica na lembrança, para os mais vividos valeu a pena relembar momentos passados.



Para fechar o segundo dia de desfiles, as Gêmeas ditam tendências em suas coleções, elas que abusam no estilo próprio, sem seguir a maré da moda ou qualquer tipo de tendência, criam suas peças a partir daquilo que desejam vestir no momento, as irmãs Carolina e Isadora Fóes Krieger se inspiram nesta vez no "dualismo", que não poderia ser representado, senão pelo obvio, espelho! Isso mesmo, estes espelhos foram a aposta de styling da coleção e ficou interessante, balanceando com calças, vestidos, casacos e saias elaboradas, seguindo sempre a mesma modelagem. É visto que em peças da mesma modelagem com tecidos com aplicações sobrepostas e em outros momentos tecidos neutros e com sutis bordados, ambos servem para ocasiões opostas, um mais disco e casual e outro mais formal. A composições com contrastes de cores e texturas também foi destaque ao desfile, micro vestidos com mangas franzidas acomodam muito bem no corpo feminino.
Desta vez os rapazes também tiveram seu momento interessante, as calças em alfaiataria e as bermudas de comprimento acima do joelho, fizeram um lindo conjunto as camisas e casaquetes.



3Th
Dando início aos desfiles do último dia, o estilista pernambucano Gustavo Silvestre exibiu uma proposta repleta de vida trazendo como fonte de inspiração o Carnaval de Pernambuco, os famosos e contagiantes blocos de rua da própria Olinda, trouxe looks em cores composta por amarelo, laranja, vermelho, roxo, azul, branco e preto. Estampas abstratas e aplicações de franjas e brilhos são o foco de suas peças a um público mais moderno e da noite. Vestidos em tamanhos curtos, colados ao corpo etambém valorizando os ombros, este estilista evidencia a sensualidade e glamour.
Os batidos tomara-que-caia, seguem com uma forma com frentes-únicas, macacões, míni e maxi vestidos. Malharia leve e diversas formas de saias e tops complementam o desfile. Sua estamparia contou com as famosas ladeiras da Cidade Alta, um de seus principais focos.
Muita modelagem que acolhe bem a silhueta feminina, mas sem se ajustar demasiadamente ao corpo. Um corte nas calças secas, macaquinhos e looks compostos por tops, jeans e casaquetes ganha melhores definições, sobretudo, graças à elasticidade presente nas peças trabalhadas com o os confortáveis denins Moss, Tysil e Lars da Vicunha Têxtil, que patrocinou sua marca.
Na produção masculina da marca, ele aposta na evidência, com direito a contraste entre duas tonalidades opostas em uma mesma peça.



Deixando a plataforma LAB este estilista mostra talento a suas criações, este paraibano Arnaldo Ventura se baseou no tema “Canto para o Mar” com referências cosmopolitas, românticas e sensuais.
Seu consumidor masculino terá uma belissima coleção comercial em tons neutros e claros, como gelo, cinza e branco, seguindo em um dia de chuva e com os cabelos molhados protegidos a grandiosos guarda-chuva, uma moda forte na alfaiataria desconstruída que vestiu bem uma lindissima capa de chuva que deixou um referencial a todo o homem moderno que não pode se molhar em nosso caos climático. Apostou nas sobreposições e as peças foram desenvolvidas em tecidos como organdi, tricoline, devoré e malha de linho, finíssima por sinal. A transparência foi outro recurso utilizado por Arnaldo, especialmente em camisas, coletes e capas, junto a calças ora ajustadas, ora de silhueta ampla e com comprimentos alongados e até as famosas popularmente chamadas de pula brejo. Blazers, por sua vez, perderam suas mangas, tornando-se um colete e sobrepondo as camisas transparentes e cintos modernos e com amarrações fantásticas. O tema da estação, com foco no mar, foi bem visto em sua moda feminina, apenas, focando na mulher que exige uma forte exclusividade e com as modelagens que acompanham a anatomia de peixes e tecidos em estampas fluidas, que remetem ao balanço das águas do mar. A cintura de suas peças vieram muito demarcadas, portanto para vestir esta moda, esteja em dia com a balança, saias estruturadas em formato balão surgiram com frentes únicas e com amarrações em fitilhos de cetim, longos e vestidos curtos e mais exagerados deram fluidez à coleção e encantaram o público presente. Alguns macacões e calças saruel fecharam tambem o desfile, provando que o estilista pode atender a diversos perfis, das mais glamourosas as mais tradicionais, porém exclusivas.




Estreando no line up oficial da Casa de Criadores, Danilo Costa, um dos poucos do projeto LAB que conseguiu permanecer nesta edição, trouxe uma coleção denominada “Not Just a Summer Love”, a qual responde a um sentimento puro e romântico, onde os corações e óculos de nerds atraem os olhares como proposta styling. O contexto do criador foi mostrar looks masculinos e femininos, aparentando uma dualidade unisex as peças. O desfile apostou em uma historinha, onde em uma linda tarde de verão, um casal se olha e se apaixona, um amor condicional foi seu tema, olhar no espelho, para que esteja impecável ao seu grande amor, que trouxe uma moda leve e com modelagem invejável, tecidos em sarjas, linho, que trouxe um caimento perfeito e que passou o conforto da peça a todos que assistiram o desfile de perto. O jeanswear desta vez foi invertido, uma peça feita do avesso, com o patrocinio da empresa, líder no mercado de tecidos, Vicunha, que acreditou e apostou no talento do rapaz, que a meu ver, PROMETE! As peças e calças neste jeans, deixaram à todos, a impressão de um jeans trabalhado e engraxado, mas nada disso foi feito, as peças foram confeccionadas através de uma modelagem fantastica e do bom jeans de qualidade denominado Ypoá, que agrega a funcionalidade de um tecido dupla-face a algumas das peças de sua coleção. Os coletinhos, shorts e macacões, complementam suas peças criativas junto a lindissimas sungas e maiôs para arrasar nas praias brasileiras, e sua cartela de cores suaves, começou nos tons de lilás, amarelo, verde, laranja e chegando ao tradicional branco. O desfile terminou com uma sensacional sauva de palmas comprovando o sucesso e bom gosto que agradou a todos os presentes.




Um dos mais aguardados e esperados desfiles aconteceu em ritmo de festa, Walerio Araujo , mergulha nas cores, brilhos e enfeites infantis, com direito a brigadeiro, confete, jujuba, sorvete, nariz de palhaço, presente, chupeta, pirulito e picolé, fêz do encerramento deste desfile, uma festa só.
A presença de famosos em meio a lindissimos gogoboys, trouxe furor a festinha, a apresentadora ex BBB, Sabrina Sato e a atriz querida e sempre amável com todos Rosi Campos arrasaram na passarela, curtindo muito a festinha KIDS.
Na moda, ele trouxe um mix de trabalhos antigos, até mesmo antes da casa de Criadores, justamente em comemoração ao tema imposto "Walerio Araujo 40".para compor as peças que vagam entre a ingenuidade e a sensualidade, caracteristica presente de sua identidade, trouxe modelagens ajustadas, muito decote V a coleção e muita transparência, rebatendo com brilhos, babados e bordados sempre em formatos inocentes. As imagens ficaram nos laçarotes, bonecas, bailarinas, palhaços e guloseimas através de estasmpas e peças styling, muito bem confeccionadas.
Vestidos cutíssimos, body, calças altas e macaquinhos são as peças-chave da coleção, os ombros de fora, como muitos outros estilistas da semana, foram bem visto e as mangas bufantes deram um drama forte a coleção. Os sapatos divertidos e coloridos acompanham um pantone de cores fantástico, saindo do rosa, passando pelo marrom, azul, amarelo e até chegar ao branco.
Para os homens, os visuais trouxeram coletes com desenhos infantis, bermudas acetinadas e ora com motivos florais, sungas mais estreitas que as de costume e macacões típicos de trapezistas de circo com modelagens bem soltas e leves.




Não perca... em breve - inicia-se oficialmente a temporada de desfiles do Fashion Rio Primavera Verão, diretamente do Pier Mauá, cobrirei tudo para vocês meus leitores assíduos... .

Materia jornalistica: Bruno Tajes
Fotografias: fotosite