Casa de Criadores - outono inverno 2010
LUZ... CAMERA... AÇÃO ... e damos abertura a Casa de Criadores...
Nesta tarde de domingo, damos início ao evento Casa de Criadores, agora com desfiles inovadores e fora do comum.
Fashion Mob, lança o desfile-passeata, com cerca de 50 grupos de jovens estilistas e estudantes de moda, que apresentaram suas peças entre o Largo do Arouche e o Jardim da Luz. Com um time de jurados formado por jornalistas de moda e estilistas, como Dudu Bertholini, Fabia Bercsek, Thaís Losso e Mario Queiroz, estes julgaram cada inscrito, que concorria ao prêmio de apresentar uma nova coleção na próxima edição da Casa de Criadores. "Esse evento é único para as pessoas que sonham com moda e nunca têm oportunidade de mostrar o seu trabalho. Ele é extremamente 'underground' e democrático", disse a estilista Fabia Bercsek, 31, depois de ver e dar nota para todos os concorrentes.
O novo estilista revelação e ganhador do concurso foi Luiz Leite, que faz moda masculina, e participará do Projeto LAB da 27ª edição da Casa de Criadores, sua coleção retratou um adeus a São Paulo, usando tecidos 100% orgânicos e um casting de modelos profissionais muito bem selecionados, diferente da maioria dos candidatos que levaram os amigos para desfilarem.
A grife Gêmeas, das queridíssimas irmãs Carolina e Isadora Fóes Krieger, abriu oficialmente os desfiles da 26ª edição, ontem à tarde no Jardim da Luz, em São Paulo. Em sua moda, notamos romantismo, com muitos babados, bordados infantis, mistura de cores como o azul-turquesa e o preto, além do off-white e de aplicações douradas nos tachões. este inverno 2010 da marca teve como objetivo: "transmitir emoções", segundo as palavras das irmãs que me concederam uma entrevista exclusiva, esta coleção deixou o ar lúdico aos olhos de todos que prestigiaram o evento num delicioso domingo no parque, onde foi notado e apropriado aos tecidos usados, muita levesa, tecidos soltos, sem cintura marcada, misturados a tricôs, camurça, sarja, lamê, tule, lã e lã canelada. Os casaquetes, leggings estampadas e mangas estilo príncipe, mais fofinhas na parte de cima foram os hits do desfile.
No segundo dia do evento, segunda-feira, foi a vez do figurinha marcada Walério Araujo apresentar sua coleção, ele que este ano também buscou diferencial, trouxe um desfile atraente e por conta da iluminação, o brilho ressaltou ainda mais, no chão e paredes do Museu da Língua Portuguesa em SP. A coleção foi inspirada em Mágico de Oz, clássico de 1939 com Judy Garland e a trilha sonora foi maravilhosa e fechou com Vaca Profana da nossa querida Gal Costa. O estilista contou que foi só depois que a ideia já estava na cabeça que veio a descobrir que este ano o longa completa 70 anos. A coleção do estilista como sempre, foi muito diversificada e mais uma vez o tule foi destaque a criação que também teve seu momento de cetim, da camurça, do veludo, do crochê, das tachas, das plumas e obviamente das pedrarias. Segundo Walério, sua Dorothy é esperta, ela não quer ficar sozinha e quer os três personagens, Leão, Espantalho e Homem de Lata para ela "brincar".
As transparências foram muito bem vistas e menos exageradas do que de costume, o estilista constrói sua coleção sem cara de figurino, na medida certa.
O desfila tem uma abertura impactante, uma dominatrix em vestido de couro acolchoado preto, com muito volume, sobreposto sobre a fragilidade do tule que aparece apenas na barra, é seguido por sete homens todos de preto com modelagens justas e muito bem estruturadas, uma alta costura nos moldes de alfaiataria moderna, casacas sóbrias, blazeres, calças e quepes compõe o conjunto de abertura.
Vimos mega decotes nas costas, que em alguns momentos aparecem em forma de coração e a saia lápis comportadissíma na altura do joelho foi o HIPE do desfile.
Na cartela de cores, temos do nude ao preto, e também roxos berrantes e um vestidinho da cor do arco-íris com um toque carnavalesco a coleção.
A cantora Claudia leite de última hora cancela sua apresentação ao desfile do amigo Walério, ela que abriria com um show, por conta de problemas familiares, não compareceu, mas mesmo assim sem perder o rebolado o desfile conseguiu abalar, fazendo com que a terrível espera de quase 1 hora e meia de atraso, terminasse valendo a pena.
A partir de terça feira, 24, palestras serão os destaques para os estudantes e modistas, sempre no período da tarde, para depois da-se início aos desfiles, que acontecem sempre a noite após as 21hrs.
No dia 24 de novembro - 14h30 – 15h30
Palestra “Pesquisando o Futuro: novos laboratórios de tendências”, por Sabina Deweik
Sabina representa no Brasil o Future Concept Lab, instituto de pesquisa de tendências de consumo e consultoria estratégica há 20 anos, com sede em Milão, Itália e Brasil. Nessa palestra, apresentará um painel relativo às macro tendências de consumo e seus desdobramentos no mercado da moda bem como o papel de cool-hunting na pesquisa de moda. Com isso, define tendências de consumo e suas aplicações nas áreas de marketing, comunicação e varejo, bem como analisa e explora suas declinações sob uma ótica sócio-cultural.
e às 16h00 – 17h30
Debate “Crítica da Crítica”, por:
Alcino Leite Neto
Carolina Vasone
Lula Rodrigues
Maria Prata
Ricardo Oliveiros
Mediadora: Lilian Pacce
Questionando as funções e o poder da mídia, renomados profissionais da imprensa debatem o jornalismo e a própria crítica de moda do país. Levantam diversas questões: “Como a velocidade dos meios de comunicação e redes sociais interferem na própria informação?” “O que a crítica de moda representa hoje?“ “Como essa é interpretada pelos estilistas e seu público?” “Até que ponto o julgamento de um olhar pode ser determinante para o sucesso ou o fracasso de uma coleção?”
Neste dia em moda, pude analizar uma moda complexa e de atitude, os destaques foram:
João Pimenta,
que trouxe "A Missa do Vaqueiro", que continua o estudo da fusão entre o feminino e o masculino que este sempre prega. Mesmo com os elementos femininos, a imagem do desfile é a de um homem forte e rude, a masculinidade foi notada, na cartela de cores neutra, e quase monocromática, que envolvia uma gama de tons terrosos como caramelo, tabaco, camelo e âmbar, e nos materiais podemos ver muito linho, o couro e o moletom, junto a forros de peles.
Capas e casacos com ombros marcados e fortes e com abotoações nas costas, formando vestidos masculinos. Na parte de cima do corpo ainda apareceram releituras dos aventais do típico vaqueiro e coletes bem cavados. A sobreposição de peças foi uma constante durante o desfile, que em momento algum teve um auge styling.
R.Rosner,
Bruna Sotili
queridinho do momento e destaque garantido, trouxe mais uma vez Bruna Sotili, que deslancha charme e atitude ao desfilar. O estilista, este ano apostou na identidade do seu DNA, que inspirado na década de 30 e 40, a alta costura como referencia de sua vovó Lili Rosner, que comandou o Ateliet Parisiense, destaque importante no papel de moda do Brasil, durante as décadas de 60 e 70. O estilista faz lembra as marcas que se inspiravam e representavam na época, como Gucci, Gui Laroche, entre outros.
A silhueta marcadérrima moldam e valorizam o corpo feminino e os comprimentos variam, ora longo, ora curto e na altura dos joelhos, passando o ar taieut chic.
Nos tecidos, vimos muito tafetá, cetim, organza, musseline, tule e também o veludo de inverno, estampas que fazem lembrar rendas e sempre com tons neutros e claros por baixo, formando segunda pele. As blusas com mangas e sobreposições a vestidos tomara-que-caia e calças, deram um ar comercial vendável a coleção, e mesmo nestes estilos mostrou total estilo fino a coleção, que saio de uma cartela branco e preto, passando pelos cinzas e chegando a tons mais quentes como amarelos, prata, roxos e a sutileza do violeta.
No dia 25 de novembro - 14h30 – 15h30
Palestra “Crise: material reciclado?”, por Geni Ribeiro
“Eu sabia que teria que jogá-lo fora. Não hoje, não esta noite, mas em breve.” (Bob Dylan)
Uma análise e crítica sobre a moda em relação a crise mundial. Até que ponto o custo da busca por tendências internacionais é válida em nosso país? Os brasileiros, nos momentos de crise financeira, superam a própria criatividade para evoluir e sobreviver? Quando a moda não é “descartável”? Como se responsabilizar pelos próprios feitos?
16h00 – 17h30
Debate “Caos por m2”, por:
Rita Wainer
Thiago Ferraz
Ricardo dos Anjos
Cássia Ávila
Paulo Reis
Mediadora: Mercedes Tristão
Um debate sobre como o backstage ganha vida e faz a magia acontecer a qualquer custo. Como conquistar seu espaço e respeitar o do próximo em poucos metros quadrados e muitos nervos à flor da pele.
E como destaque as passarelas, podemos ver:
Danilo Costa,
que hoje pertence ao projeto Lab, ele que surprendeu a todos com uma escuridão e de-repente as luzes trouxeram o cão solto nos braços do modelo de fucinheira. A coleção jovem com um shape mais ajustado ao corpo, tanto no feminino quanto no masculino de sempre. Homens de short curto, e ate mesmo leggins, Um homem fashionista foi demarcado por seu estilo e representação. Nos membros superiores, e nas camisetas, desenhos de cães e frases como “I wanna be your dog”. Brilhos e cardigãs também foram notados. O seu feminino foi pouco, mas preciso, e foi visto em macacões preto slim, e o básicão calça com camiseta. Na cartela de cores leves, mostrou o amarelo bebe, branco, tons de cinza, azul cobalto, roxos e o pretinho básico de todos.
Jadson Ranieri,
DRAMA, foi a abordagem feita por Jadson nesta coleção que dispensou elogios através de formas extravagantes e cores possessivas. Inspirado na trajetória dos ladrões americanos Butch Cassidy e Sundance Kid, desta vez ele conseguiu mostrar tecidos altamente coordenados e bem estruturados com elementos que remetem vestimentas do século XIX e investe em diferentes imagens dark, ainda que com alta dose de glamour traduzida pela constante presença de brilhos em plaquetas ou imensos paetês que dividiam espaço com longas franjas negras, as cores mais leves recebem um destaque pequeno, para a chegada dos roxos e rosas em tecidos sintéticos como vinil e lamê, trazem um pouco da estética new rave ou clubber para o mundo folk moderno. Em seu casting masculino muito bem selecionado, com uma camiseta marrom, com estamparia de faroeste e um mini casquete na testa em dourado, (características stylings de Rafael Menezes, que abusa de styling sem exageros) o modelo New Face de maior destaque no evento, é sensação fashion do momento, Bruno Schimidt da agência MAJOR, que levantou suspiros, mostrando um profissionalismo e firmeza no desfilar, a agência levanta boatos de que o garoto estará em diversos desfiles da SPFW e com estilistas em Paris, Londres e N.Y, sondando o rapaz, que quem sabe não é nosso próximo queridinho internacional.
Tony Jr,
Dara Costa
apelou para os decotes e encurtamentos nas modelagens femininas, mesmo a coleção fazendo parte do inverno brasileiro, a modelo Dara Costa, mostrou atitude e recebeu seus elogios e comentários, quem sabe uma futura Top Model, não será lançada, a partir daí, em meio a diversos tecidos e cores, víamos um modelo homem vestindo uma roupa metade masculina metade feminina, Tony já anunciava que este ano suas apostas para a estação seriam, fortes na expressão e coragem, com um sex appeal fortíssimo.
Ombros marcados, drapeados, rendas, babados, brilhos, franjas e micros peças, para mulheres e homens, com peças de alta costura intercaladas a uma moda casual e esportiva. O pantone de cores deste ano foi do branco ao preto, passando pelos cinza, marrom, azul e vermelho, estampas e aplicações em dourado e roxo também foi notado em suas sarjas, tricoline, cetim, tule, veludo e lurex, inspirado nos anos 80.
26 de novembro - 14h30 – 15h30
Palestra “Em cartaz: Comédia da Moda Privada”, por Kathia Castilho
O corpo que veste a roupa como figurino se aproxima cada vez mais de um protótipo de imagem desejada. Os personagens da moda hoje no Brasil se tornam cada vez mais mitificados e imagéticos, tanto para si próprios quanto para seus fãs. Qual a intenção do artista ao entrar em cena? Até que ponto o glamour interfere na percepção e na realidade de uma pessoa?
16h00 – 17h30
Debate “Do Casebre ao Casarão”, por:
Elisa Stecca
Gêmeas
Jum Nakao
Lorenzo Merlino
Mediador: André Hidalgo
Do “carteiro ao email”, do “levantamento de paredes a tinta fresca”, como a Casa era vista a 25 edição atrás e hoje em dia? Quais dificuldade foram superadas, quais permanecem, quais vitórias facilitaram e quais dificultaram? Quais os frutos colhidos para um “filho” que resolve sair de Casa? Uma discussão em família de “crias independentes e recém-nascidas”!
e entre quarta e sexta-feira, no Shopping Frei Caneca, contamos com os mais de 30 desfiles dos outros participantes da semana de moda Casa de Criadores.
E como destaque das passrelas podemos ver:
Diva,
Este ano mais sóbria e em estilo festa glamourosa, diversos modelos curtos na frente e compridos atrás, foram os HITS deste desfile, cinturas marcas com volumes nas saias, longos, cheios de camadas, entre outros. uma sutil atitude sexy e excessos de ornamentos stylings. Muito brilho, laços enormes novamente marcaram a sua coleção, volumes, bordados, transparências, corselets e outros elementos que criam bons efeitos apenas na passarela, deixam a visão comercial, sem estudo.
O cinza, preto e amarelo douradão compunham a cartela de cores do inverno 2010 da marca que no branco acalmou os olhos dos espectadores. Após o momento festa, entram as noivas, igualmente exuberantes e extravagantes, que finalizam o desfile, com transparências, bordados e camadas, camadas e mais camadas de tule.
Gustavo Silvestre,
o estilista começa seu show com jeans, mostrando referência aos anos 90, utilizou o denim em um vestido curtíssimo e bem justo, camisões, calças e saias, muitas vezes com uma lavagem délavé. Também apostou nos bordados e outros trabalhos manuais, característica de sua marca, o trabalho de chenile e ponto russo se destacaram na coleção apresentada por Gustavo e trouxe também microvestidos em renda, justos, que tiveram alguns problemas de acabamento, e poderiam ter sido esquecido, já que os trabalhos manuais foram de sumo bom gosto e talento rico. A silhueta veio valorizando as curvas do corpo feminino e com comprimento curto, próximo ao meio das coxas que balanceou aos volumes discretos e aconchegantes do chenile. Com uma cartela de cores impecável, em tons neutros, como o preto e o bege ganhavam um toque UP de alegria com tons de vermelho, laranja, azul e outros.
Enfim, Casa de Criadores, demonstra qualidade e ousadia, alguns estilistas precisam pesquisar referências e ter estilos inovadores, sair do mesmo, o que é sempre bom a uma mente criativa, e o respeito a estação em questão foi uma das coisas mais chocantes que não devem acontecer, nesta temporada que transpareceu um famoso "Inverno - verão" e que demonstra confusão ao transparecer idéia...
Matéria jornalística: Bruno Tajes
Fotografias: foto divulgação