Quartett no SESC SP...


do autor:
QUARTETT - texto: Heiner Muller e direção: Robert Wison

(...) O que diz seu espelho? Sempre é o outro que nos encara. É este quem procuramos, quando nos revolvemos entre os copos estranhos, fugindo de nós mesmos. Pode ser que não exista nenhum nem outro, somente o nada em nossa alma, que cacareja por ração. (...) Valmont /Ariel Garcia Valdès

(...) A virtude é uma doença infecciosa. O que é isso, nossa alma? um músculo ou uma mucosa? O que eu receio é a noite dos corpos (...) MARTEUIL /Isabelle Huppert

comentário:

O espetáculo tem em seu elenco 5 personagens, mas um é excluido do título, penso eu? quem? o velho, que no início mata, e as gargalhadas da diversão sarcástica de todos, mostra com naturalidade ser a própria morte, com uma tênue de pureza e inexistência, do passado próximo ao presente que o dueto principal, Valmond e Merteuil mostram e demonstram ser.
O coachar me faz pensar nos personagens maquiavélicos da vida e da cena, que se transformam no sapo dos contos de fadas e que sempre viram príncipes. A estética da vida faz pessoas belas e elegantes porém maldosas parecerem bem, e serem muito bem vistas pela sociedade. A evolução muda uma pessoa e a torna integra ou não.
Uma virgem, judiada, cobiçada, maltratada, violentada é alvo para o prazer de quem a trata mal.
Uma peça realista à nossa sociedade, no caos humano pelo perverso as vezes sem perceber, onde um sonho pode ser maligno e o mal levado ao glamour, que em um diabo vestindo prada acentua o bem que veste um lençol branco com uma auréola.
Até que ponto a ética é sensurada por quem age de forma errada?
As cores dos figurinos participam do espetáculo, o verde virgem de saúde, o vermelho perverso e o azul no veludo maquiavélico, caminham junto aos textos expressivos e fortes da cena e a iluminação especial do espetáculo completa os cenários e suas trocas com perfeição dirigida.
O grito termina a cena, este grito resolve, completa, intimida e mata.

Matéria jornalística: Bruno Tajes